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Vazamento de óleo: Praias podem ser interditadas, diz Ibama

A exemplo do que aconteceu com algumas praias do Nordeste, que foram castigadas pelas manchas de óleo, as praias no Estado poderão ser interditadas ...

O fotógrafo Luís Claudio de Sousa registrou equipes de limpeza da Prefeitura de Nova Viçosa, no sul da Bahia

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O fotógrafo Luís Claudio de Sousa registrou equipes de limpeza da Prefeitura de Nova Viçosa, no sul da Bahia (Foto: Lcsfreelancerfotografia/ Divulgação)

A exemplo do que aconteceu com algumas praias do Nordeste, que foram castigadas pelas manchas de óleo, as praias no Estado poderão ser interditadas caso o mesmo ocorra.

Essa interdição seria temporária, ou seja, enquanto o serviço de limpeza porventura estiver sendo realizado por equipes especializadas, como explicou o analista ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis no Espírito Santo (Ibama-ES), Vinícius de Seixas Queiroz.

Leia Mais: Ministro diz que não é possível saber quanto óleo ainda atingirá litoral

A entrevista foi concedida nesta segunda-feira (04) na Serra, onde foram passadas orientações ao município sobre como proceder a partir de agora, uma vez que vestígios de óleo já chegaram no Sul da Bahia.

O evento contou também com a participação do Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

A Tribuna – Se a mancha de óleo atingir alguma praia no Estado, ela será interditada? As pessoas poderão tomar banho?
Vinícius Queiroz, analista  ambiental do Ibama-ES: estado de alerta (Foto: Leone Iglesias / AT - 11/04/2019)Vinícius de Seixas Queiroz – A orientação do Comando Central do Incidente, composto pela Marinha, Ibama e ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), com base no que tenho visto acontecer no Nordeste, é que, onde existe óleo visível na praia, não deve-se fazer uso para banho, ou seja, as praias ficam interditadas enquanto existir óleo visível. Terminou o recolhimento de óleo, a equipe responsável dirá se a praia está limpa ou não. Uma vez limpa a praia, não existe restrição para o uso recreativo.

Existem locais em que houve intervalo de alguns dias para um novo aparecimento do óleo. Nesse caso, não há risco de tomar banho no mar após a limpeza?
O contaminante na água tende a se dispersar rapidamente. Então, esse fenônemo é rápido. Não existe nenhuma recomendação de restrição ao banho por parte das autoridades em praias em que não existam resíduos oleosos visíveis.
A orientação oficial que é mais aceita pela maioria das autoridades ambientais e de saúde é que, desde de que não existam resíduos visíveis e nem sinalização sobre uma restrição oficial, como ‘estamos em processo de limpeza’, ‘não acesse a praia’, a praia está liberada.
E se alguém visualizar alguma mancha de óleo, rapidamente deve procurar a autoridade para que proceda a interdição daquela praia. O número que pode ser acionado é o 185. Essa pessoa também pode procurar uma autoridade local, como salva-vidas, que vai acionar os órgãos competentes para fazer a interdição e limpeza da praia.

O que pode acontecer com quem tiver contato com esse óleo?
Tem vários riscos à saúde. O óleo libera princípios voláteis, substâncias tóxicas que podem ser absorvidas diretamente pela pele, podendo causar uma série de irritações em mucosas, nos olhos, alergias, dermatites cutâneas, problemas respiratórios, pneunomia, enfim, até complicações vasculares. Há uma série de sintomas agudos que podem acometer pessoas que sejam expostas a uma grande quantidade de óleo.
Existem também os efeitos crônicos da exposição ao óleo, os efeitos cumulativos. Alguns desses compostos voláteis como benzeno, tolueno e xileno, entre outros, se acumulam nos organismos, nos tecidos vivos, podendo causar toxicidade a longo prazo, por exemplo levando ao desenvolvimento de câncer. Isso vai depender da quantidade à qual a pessoa estiver exposta e outros fatores predisponentes.

O momento é de extremo alerta?
É. A gente está em alerta, de prontidão para a possibilidade da chegada do óleo. Não chegou na costa capixaba ainda. Já estão começando a surgir várias notícias, mas a gente tem de tomar muito cuidado com a maneira que divulga as informações, porque qualquer formação escura boiando é suspeita.
Porém, é importante que seja comunicado às autoridades, procurando principalmente as secretarias municipais de Meio Ambiente de cada município e, eventualmente, os gestores das unidades costeiras para que possam encaminhar as amostras para análises. A gente orienta que as pessoas não tenham contato direto com esse material.

O momento não é de pânico?
Pânico nunca. Muito pelo contrário. Agora é momento de a gente estar atento, observando esses vestígios escuros nas praias. Claro que é o maior desastre ambiental da história da humanidade, em termos de extensão territorial e tempo. Nunca a humanidade se deparou com um incidente desse tamanho. Então, o desafio é brutal, mas estamos adotando todas as medidas para evitar uma catástrofe.

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