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Venda de remédios para dormir dispara na pandemia

As preocupações desencadeadas pela pandemia têm, literalmente, tirado o sono das pessoas. Sem conseguir ter um descanso de qualidade, elas começaram ...

A médica Simone Prezotti diz que as pessoas estão mais ansiosas, o que tem afetado a qualidade do sono.

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As preocupações desencadeadas pela pandemia têm, literalmente, tirado o sono das pessoas. Sem conseguir ter um descanso de qualidade, elas começaram a recorrer aos medicamentos para dormir, cuja venda disparou do ano passado para cá.

A médica Simone Prezotti diz que as pessoas estão mais ansiosas, o que tem afetado a qualidade do sono. (Foto: Fernando Ribeiro-11/11/2013)

Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) apontaram que, somente no primeiro semestre deste ano, a comercialização do zolpidem, um dos mais populares remédios para dormir, representou quase 60% de todo o volume vendido em 2019.

Ao todo, os brasileiros consumiram 4,85 milhões de doses entre janeiro e junho de 2021, sendo que em todo o ano de 2019 foram 8,16 milhões de caixas vendidas.

“Esse aumento ocorreu porque as pessoas passaram a ficar mais ansiosas, o que está diretamente ligado à má qualidade do sono. Também houve aumento do uso dos eletrônicos e do consumo de álcool, piorando a situação”, explica a médica Simone Prezotti, especialista em sono.

Mas a psiquiatra Lais Fardim alerta que, em caso de abuso do medicamento ou da administração sem prescrição médica, alguns efeitos colaterais podem surgir.

"Os medicamentos para dormir, em alguns casos, podem até gerar dependência física e psicológica", Lais Fardim, psiquiatra  (Foto: Arquivo/AT)

“A longo prazo, eles são capazes de gerar dependência física e psicológica, além da perda de memória e dificuldade de concentração. Por isso, torna-se importante que um especialista acompanhe o processo inteiro”, detalha.

Para a também especialista em Medicina do Sono Roberta Couto, apesar de alguns fármacos ajudarem no tratamento contra a insônia, é preciso que o indivíduo tente identificar e eliminar, primeiro, o que tem feito com que ele durma mal.

“Qualquer um desses medicamentos ajuda a dormir, mas eles não somem com os reais motivos da insônia. Seria apenas uma solução momentânea, dando brecha para que surja de novo”, avalia.

Ela recomenda que remédios como clonazepam e alprazolam, por exemplo, sejam usados apenas se combinados a um tratamento cognitivo-comportamental do sono (TCC-I), que é ofertado por psicólogos.

“Trata-se de uma alternativa na qual são trabalhados os problemas emocionais e os comportamentos negativos daquele paciente no dia a dia, já que, normalmente, estão ligados à insônia”, frisa.

"Vários problemas emocionais estão ligados à insônia”, Roberta Couto, médica especialista em Medicina do Sono (Foto: Fernando Ribeiro - 11/11/2013)

Uso sem receita é feito por 35%

Em fevereiro deste ano, a SleepUp, startup focada no tratamento de insônia, fez uma pesquisa com 533 pessoas para avaliar como estava a qualidade do sono durante a pandemia. Dos entrevistados que disseram tomar medicamentos para dormir – equivalente a 13% –, 35% faziam uso sem receita médica.

“Para comprar algum desses medicamentos por conta própria, existem pessoas que até falsificam uma prescrição. Mas há vários riscos nisso, como surgimento da depressão respiratória, que é causada pelo excesso de dosagem, além da dependência”, salienta a médica especialista em Medicina do Sono e psiquiatra Lais Fardim.

Ainda de acordo com o estudo, do total de indivíduos que usam esses medicamentos, 71% são mulheres e 29%, homens.
Além disso, 88,4% tinham começado a tomar havia mais de três meses, sendo que 44,2% tomavam há mais de um ano.

A médica avalia que essas drogas se popularizaram, recentemente, sobretudo entre as pessoas com transtornos mentais, que são as que mais procuram os consultórios com insônia.

“Muitas delas sofrem com dificuldade para dormir e, sequer, sabem que possuem depressão ou ansiedade. Cabe ao especialista avaliar qual é o melhor tratamento, pois cada um tem suas especificidades”, afirma.

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