A rotina, sob pressão, dentro de uma ambulância que carrega os pacientes confirmados ou suspeitos de Covid-19 tem mudado o dia a dia dos socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Acostumados a lidar com traumas, eles viram mudanças durante a pandemia do novo coronavírus, que já infectou mais de 40 mil pessoas no Espírito Santo.

Com cinco pessoas que moram com ele – a mulher, os dois filhos (de 13 e 20 anos), uma nora e uma neta, de 2 anos –, houve também mudanças dentro de casa, segundo Cristiano.
Os cuidados para não contaminar a família têm sido prioridade quando termina o plantão.
“Primeiro, eu tiro a roupa do lado de fora. Em um banheiro, tenho tudo separado para o meu uso. Minhas roupas são lavadas separadamente. Além disto, tem a higienização dos sapatos”, contou Cristiano.
De acordo com ele, os socorristas têm feito muito o papel de ouvir e acalmar o paciente. Um dos casos que marcou foi o da jovem Letícia Santos, de 26 anos, que testou positivo para a doença.
“Durante o atendimento, conversamos muito com ela, para acalmá-la. Nós a levamos para o hospital e logo foi atendida. Depois, ela postou uma foto, que tiramos dentro da ambulância, no Facebook como agradecimento. Isso é muito gratificante”, disse.
De acordo com o médico do Samu Alex Solivan, houve ações para manter a qualidade da assistência prestada à população.
“Tivemos capacitação para abordagem dos pacientes e aumento no número de médicos reguladores, da equipe de Unidade de Suporte Avançado. Também tivemos aquisição de mais medicamentos e dispositivos para abordagem de via aérea avançada ”, informou Solivan.
O médico do Samu disse ainda que houve um aumento também no número de equipamentos de proteção individual, além do apoio de remoção terceirizado nas transferências de pacientes suspeitos ou confirmados com a Covid-19.
Roupas especiais passam a ser usadas pelos socorristas

Com proteção da cabeça aos pés, o uniforme inclui macacão branco de manga comprida, máscara no rosto, touca e luvas.
“A empresa fornece todos os equipamentos de proteção e usamos em todos os atendimentos, suspeitos ou confirmados, da Covid-19”, explicou o técnico de enfermagem do Samu Marcos Antônio do Nascimento.
O socorrista contou que eles se paramentam antes de sair da base para o atendimento.
“Quando o caso se trata do novo coronavírus, a gente recebe informação para utilizar os EPIs (equipamentos de proteção individual), item 2, que se referem à Covid-19”, disse Marcos Antônio.