O diretor geral para os Italianos no Mundo da Farnesina, Luigi Vignali, revelou o interesse do país europeu em instalar uma sede do Consulado da Itália, em Vitória. O anúncio foi feito por ele, na quinta-feira (18), durante reunião da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados italiana, e publicado pela revista Insieme.
Ao ser questionado pelos deputados Mario Borghese e Luis Roberto Lorenzato – eleitos pela comunidade italiana da América do Sul para compor o Parlamento da Itália – sobre a instalação de sedes do consulado em Vitória e em Florianópolis, capital de Santa Catarina, no Sul do Brasil, Vignali disse que deve visitar as duas cidades a partir de junho deste ano.
“Eu não tenho datas para a abertura das novas sedes. Porém, posso dizer que irei pessoalmente a Vitória e a Florianópolis na metade de junho. Para visitar as duas comunidades. Terei o prazer de visitar as duas comunidades que são distantes e onde não existe uma presença estável e por isso vou pessoalmente, também para verificar se de fato existem espaços gratuitos, como lembrava o deputado Lorenzato, ou a preços muito reduzidos para assegurar uma presença italiana mais estável nestas duas cidades”, afirmou o diretor geral, em fala transcrita pela revista e que foi registrada pelo site WebTVcamera.it.
Em sua fala, Lorenzato destacou que já teve conversas com o Governo do Espírito Santo sobre a possibilidade de ceder imóvel para que seja instalada a sede do consulado da Itália em território capixaba. “Eu falei com o governador de Santa Catarina e com o do Espírito Santo. Eles estão disponíveis a doar à Itália edifícios para instalar uma sede consular. Podemos colaborar. Um protocolo de intenções entre a Justiça brasileira, dos estados brasileiros com o governo italiano, pela segurança ligada aos processos”, frisou o parlamentar.
A discussão acerca da instalação de novas sedes do consulado italiano no Brasil ocorreu depois que Lorenzato voltou a questionar o entendimento recorrente de uma parte da burocracia italiana que pretende impor limites geracionais à transmissão da cidadania italiana por direito de sangue.
Vignali respondeu aos questionamentos de Lorenzato dizendo que a legislação italiana para conceder a cidadania a descendentes por direito de sangue é generosa. “Somos o país no mundo que concede a cidadania aos descendentes de italianos sem limites geracionais. Enquanto todos demais países dão um limite de uma, duas gerações, no máximo três”, justificou o diretor geral.
Lorenzato rebateu dizendo que não se trata de questão de generosidade, mas de matemática, concluindo que “quem nasce de italiano, italiano é!”. O parlamentar criticou o tempo de demora na fila de cidadania. Segundo ele, são 12 anos apenas para dar início a checagem dos documentos que pode levar ainda mais quatro anos.
“Criou-se um fenômeno na Itália – a máfia dos coiotes da cidadania italiana. Isto é, operadores italianos que corrompem funcionários do estado civil dos municípios italianos, com os guardas urbanos e com pessoas no Brasil que trazem esses ricos ítalo-brasileiros que chegam a pagar 7 mil euros para dirigir-se à Itália e obter uma residência, temporária ou não (tem gente que sequer vem), para “fazer” essas cidadanias”, afirmou o deputado.
E completou: “É uma situação muito grave e esta maldita fila em São Paulo criou este monstro jurídico em que estão marginalizando nossa comunidade e de uma maneira terrível”.