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Você sabe cantar o hino do Espírito Santo?

A reportagem foi às ruas e constatou como é difícil encontrar pessoas que conhecem a letra, que já tem mais de 130 anos; veja a letra

José Barbosa, ao lado da neta Amora, explicou que conhece o hino porque trabalhou por muitos anos no Diário Oficial do Estado

Última atualização

Forma de exaltar a história e as lutas de um povo, o hino é um símbolo cívico de países, estados, municípios ou grupos. Mas, nas últimas décadas, tem ficado cada vez mais difícil encontrar pessoas que têm as letras desses hinos na ponta da língua.

O hino do Espírito Santo, por exemplo, tem mais de 130 anos, enaltecendo a glória do passado e a esperança no futuro do povo capixaba. Mas será que as pessoas conhecem esse símbolo?

A reportagem foi às ruas e constatou como é difícil encontrar pessoas que conhecem a letra. E se engana quem acha que só os mais jovens não sabem. As pessoas com mais idade também desconhecem o hino, mesmo uma única frase.



Uma exceção foi o aposentado José Alpheu Ribeiro Barbosa, de 77 anos. Ao lado da neta, Amora Ramalho Barbosa Salazar dos Santos, de 10 anos, ele explicou que conhece o hino porque trabalhou por muitos anos no Diário Oficial do Estado e participava de solenidades que tinham o hino tocado.

“Infelizmente, o que vemos hoje é nem mesmo o Hino Nacional as pessoas sabem cantar. Quando cantam é somente quando tem partida de futebol da Seleção Brasileira”.

Para descobrir quem conhece o hino do Espírito Santo e ainda tem a letra na ponta da língua, a reportagem de A Tribuna foi às ruas com a versão instrumental do hino e propôs que pessoas cantassem.

Para o historiador e autor de livro Luciano Retore Moreno, o civilismo foi muito esquecido nos últimos anos, principalmente nas escolas onde havia o costume de ter o hino cantado.

“Mesmo assim, quando a escola ainda tem o costume de ter o hino, até a postura dos alunos mudou, se portando com mais desleixo”.


Ele ainda explicou que o hino de cada estado é uma forma de cada unidade da federação buscar preservar sua identidade, já que o País é muito grande, com muita diversidade nos territórios.

“O hino é uma forma de enaltecimento da terra. No início do Hino do Espírito Santo, por exemplo, ele sobre os “braços fracos”, porque historicamente o Espírito Santo sempre foi uma capitania e, depois, uma província desdenhada por quem tinha poder”.

Mesmo assim, o hino fala que isso não impede o povo de mostrar a força para poder superar tudo. “Mostra que, de alguma forma, prevalecemos diante da pressão. Isso é fundamental para o povo, especialmente para a gente, que tem uma dificuldade muito grande com a nossa própria cultura”.

História e cultura em destaque

Criação

O hino do Espírito Santo foi criado em 1894.

A letra é de José Joaquim Pessanha Póvoa que, além de poeta, era advogado, jornalista, professor, político, além de ter exercido função de delegado e chefe de polícia. Apesar de ter nascido no Rio de Janeiro, ele morreu em Vitória, em 1904, aos 68 anos.

Já a música orquestral do hino é de autoria de Arthur Napoleão, também autor do hino do Acre.

Napoleão nasceu também no Rio de Janeiro e foi um pianista, compositor, editor de partituras musicais, professor e comerciante luso-brasileiro. Mudou-se em 1866 para o Brasil, onde viveu o resto da sua vida.

Cenário na época

Segundo especialistas, o hino foi criado em uma época de grande esperança e progresso no Espírito Santo, já que o Brasil se destacava no comércio de café.

Também era momento em que o Espírito Santo se encontrava no início da República, quando se vislumbrava um futuro promissor após um período de atraso.

Letra

O Hino do Espírito Santo exalta a história, a cultura e as aspirações do povo do Estado.

A letra do hino começa com uma metáfora da “estrela prometida”, que pode ser interpretada como um símbolo de esperança e de um futuro próspero.

A letra também aborda a determinação do povo espírito-santense. Cita que, apesar de seus “braços são fracos”, a força da fé e da crença, e a nobreza dos corações valentes que compensam.

O Hino também cita o passado glorioso do Estado e seus heróis, ao mesmo tempo em que olha para o futuro com esperança.

Fonte: Pesquisa A Tribuna e especialistas.

Hino do ES

Surge ao longe a estrela prometida

Que a luz, sobre nós, quer espalhar

Quando ela ocultar-se no horizonte

Há de o sol nossos feitos lumiar?


Nossos braços são fracos, que importa?

Temos fé, temos crença a fartar

Supre a falta de idade e de força

Peitos nobres, valentes, sem par

Salve o povo espírito-santense

Herdeiro de um passado glorioso

Somos nós a falange do presente

Em busca de um futuro esperançoso

Saudemos nossos pais e mestres

A Pátria que estremece de alegria

Na hora em que seus filhos reunidos

Dão exemplo de amor e de harmonia


Venham louros, coroas, venham flores


Ornar os troféus da mocidade

Se as glórias do presente forem poucas

Acenai para nós, posteridade!

Salve o povo espírito-santense

Herdeiro de um passado glorioso

Somos nós a falange do presente

Em busca de um futuro esperançoso





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