A primeira imagem de um buraco negro foi apresentada ao mundo por astrônomos do projeto “Event Horizon Telescope” (EHT), na manhã de ontem. Para o professor do departamento de Física, da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Júlio César Fabris, a data é histórica.
A divulgação da descoberta foi feita durante um evento organizado pela Fundação Nacional de Ciência dos Estados Unidos e por representante do EHT, é uma rede de radiotelescópios espalhados pelo planeta. O feito é considerado um marco da física.
O professor explicou que o buraco negro é um objeto que captura a luz e a matéria que está na sua proximidade, mas ele próprio não emite nada – luz ou nenhum tipo de matéria. O que entra no buraco negro fica aprisionado, definiu ele.
“É um dia para ficar para a história. É a confirmação de algo que se suspeitava, mas que não tinha uma imagem, uma detecção direta. Acho que é um sucesso, sobretudo, porque a técnica utilizada (radiotelescópios) vai poder estudar fenômenos parecidos em outras galáxias”, avaliou Fabris.
Segundo o professor, a suspeita de que havia um buraco negro, sobretudo, no centro na nossa galáxia já data de muitos anos, mas o grande desafio era detectar.
“A média prazo, o que ocorre é que vamos poder utilizar a mesma técnica em outras galáxias. E aí, vamos fazer estudo mais completo de buracos negros, da formação das galáxias e os processos que ocorrem na sua vizinhança”, revelou.
O buraco negro cuja imagem foi divulgada nesta quarta está no centro da galáxia M87, a uma distância de cerca de 50 milhões de anos-luz da Terra, conforme os responsáveis pelo EHT. Ele tem 40 bilhões de quilômetros de diâmetro – cerca de três milhões de vezes o tamanho de nosso planeta.
O anúncio da descoberta foi feito em entrevistas coletivas simultâneas em Washington, Bruxelas, Santiago, Xangai, Taipé e Tóquio.
