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GILMAR FERREIRA

Desconforto

Comentários sobre o futebol, os clubes e os craques do esporte mais popular do planeta

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Gilmar Ferreira

Gilmar Ferreira é jornalista esportivo com passagem por veículos como O Dia, Jornal do Brasil, Lance! e Extra. Reconhecido por sua apuração e análises sobre futebol, foi também comentarista da Rádio Globo. Atualmente, é colunista do jornal Tribuna e do Tribuna Online, onde escreve sobre clubes, bastidores e o cenário do futebol brasileiro.

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Passou batido o fato de a marca da Shopee não ter sido estampada na manga da camisa do Flamengo nos jogos contra o Santos, na Vila Belmiro, no meio da semana passada, e o Fluminense, no último domingo, no Maracanã. Mas não se espante: no confronto de amanhã (15), contra o Estudiantes, em Buenos Aires, pela Libertadores, o nome da plataforma de comércio eletrônico voltará ao local de sempre.

Desde que, é claro, o clube não estampe no espaço master, antes destinado à casa de apostas, a frase “Proibir não é proteger”.

Segundo apurei, a frase foi iniciativa da patrocinadora que tem contrato em vigor com o clube. Aliás, foi também “bancado” por ela a faixa de protesto estendida nas arquibancadas do Fla-Flu por uma das organizadas rubro-negras.

Oficialmente, a empresa ainda não notificou o Flamengo sobre a quebra do acordo que gera cerca de R$ 300 milhões anuais – R$ 268,5 pela cota master de patrocínio e R$ 30 milhões pela publicidade nas placas de led dos gramados em dias de jogos com o mando. E, como já pagou o valor anual, utiliza o espaço para veicular suas mensagens

A ideia inicial era protestar nas duas partidas seguintes à eleição no primeiro turno. E, como a segunda era o clássico entre clubes parceiros, ambos com contrato em vigor com casas de apostas, não foi difícil convencer os tricolores a aderir o protesto. Porém, a política interna da Shopee restringe a promoção de apostas em suas transmissões e a manifestação da patrocinadora master do Flamengo gerou desconforto à plataforma de marketplace que paga R$ 13 milhões por ano para ter sua marca nas mangas. Outros parceiros teriam reclamado, mas não consegui confirmar.

A decisão de não estar no uniforme nos jogos em que o clube ceder espaço para que a casa de apostas proteste contra a MP das Bets vem num momento delicado, em que se discute uma possível renovação do contrato que termina em dezembro.

A arrecadação do Flamengo em publicidade no meião, no calção e na camisa é avaliada em R$ 470 milhões, e mais da metade vem da cota master. É até possível que, caso de reforma da MP, este valor seja revisto em 2027. Mas, por ora, o clube não tem como impedir que a principal parceira use o espaço para campanhas.

É importante, por tudo isso, que o time volte da Argentina com um bom resultado para confirmar a presença em mais uma final da Libertadores no jogo da volta, no Maracanã, na quinta-feira (22). Hoje à noite, o Fluminense faz aqui no Rio o primeiro jogo do playoff semifinal contra o Palmeiras. Quem sabe a dupla Fla-Flu não faz essa inédita decisão? Vejamos.



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