A ação de Deltan Dallagnol para suspender um julgamento contra ele no Conselho Nacional do Ministério Público fez piorar o clima para o procurador no colegiado.
Uma parte relevante do órgão relata incômodo e chama de “inaceitável” a decisão judicial que retirou de pauta processo disciplinar que envolve o chefe da Lava Jato. Em resposta, na sessão desta terça (27), conselheiros discutirão um recurso contra a determinação e prometem desengavetar um outro caso contra Deltan.
Tiro de misericórdia – Membros do CNMP e ministros de tribunais superiores avaliam que Deltan está mais suscetível a punições no colegiado. Além de ter provocado irritação ao enfrentar o conselho, o procurador perdeu apoio entre bolsonaristas, o que o deixa mais vulnerável.
Boca no trombone – Deltan recorreu à Justiça e alegou não ter tido tempo para se defender num processo aberto por críticas feitas a ministros do STF. O juiz Nivaldo Brunoni, do Paraná, acatou o pedido.
Ação e Reação – Membros do CNMP provocaram Raquel Dodge para que ela recorra da decisão. Eles querem que a procuradora-geral conteste a decisão do juiz ou endosse recurso da Advocacia-Geral da União nesse sentido.
Sob pressão – O órgão vai cumprir a determinação que suspendeu o julgamento, mas deve desarquivar um outro processo contra Deltan. São grandes as chances de retomada de uma reclamação da senadora Kátia Abreu (PDT-TO) por vazamento de informações de uma delação premiada.
Brigou com um – O corpo do Ministério Público Federal encampou a defesa da procuradora dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, que responde a duas reclamações disciplinares no CNMP, movidas pelo PSL. Uma carta a favor dela foi assinada por 335 colegas. Entre eles, estão os ex-procuradores-gerais Claudio Fonteles e Rodrigo Janot.
Brigou com todos – A carta adota um tom institucional ao defender a atuação independente do órgão e afirma que a provocação a Duprat tem a intenção “tolher o debate” sobre pautas caras às minorias.
Queime antes de ler – Em um dos casos, Duprat recomendou ao Ministério da Educação retificar nota enviada a escolas proibindo que professores, pais e alunos convocassem atos políticos durante o horário letivo.
Às Armas – O governo brasileiro decidiu reforçar o embate com Emmanuel Macron por prever que o presidente francês continuará usando o tema ambiental para impor dificuldades à finalização do acordo comercial Mercosul-União Europeia. Por isso, seria estratégico manter o debate de pé.
Dá um like – Um novo fantasma assombra diplomatas brasileiros que lidam com a crise ambiental. Eles temem que, dada a polêmica das falas de Bolsonaro, delegações se retirem da Assembleia-Geral da ONU durante discurso do presidente, no próximo dia 23.
Frente fria – Não bastassem os europeus, o Brasil sofre pressão pela crise na Amazônia também dos vizinhos. O parlamento do Mercosul aprovou resolução falando em estado de emergência. O ato foi puxado pelo PT, que tenta ampliar o desgaste de Bolsonaro.
Água na fervura – A expectativa é baixa entre governadores da região amazônica que se reúnem com Bolsonaro nesta terça. A avaliação é que o presidente dobrará a aposta no proselitismo nacionalista.
Visitas à Folha – Fabio Coelho, presidente do Google Brasil, visitou a Folha nesta segunda-feira (26), onde foi recebido em almoço. Estava acompanhado de Todd Benson, diretor de Comunicação para América Latina; Newton Neto, diretor de Parcerias para América Latina; Marcelo Lacerda, diretor de Relações Governamentais; Rafael Corrêa, diretor de Comunicação; e Erica Noda, gerente de Parcerias Estratégicas.
Mauro Mendes, governador de Mato Grosso, visitou a Folha nesta segunda. Estava acompanhado do secretário-chefe da Casa Civil, Mauro Carvalho Junior.
O deputado federal Alexandre Frota (PSDB-SP) visitou a Folha nesta segunda. Estava acompanhado de Jean Carlos Pereira Nunes, secretário parlamentar.
TIROTEIO
“São necessários recursos para o controle, mas também para prevenir os incêndios. Os cortes no Orçamento precisam ser revistos.”
Da ex-presidente do Ibama Suely Araújo, sobre o governo ter liberado dinheiro para conter as queimadas mas não para órgãos que as evitam.