Políticos, juristas e ministros do Supremo Tribunal Federal (
Onde pega – Os trechos com maior repercussão no universo jurídico são os que indicam que Moro, então juiz, solicitou a inclusão de documentos em peças de acusação e também orientou investigadores a retardarem o cadastramento de papéis que imputavam pessoas com foro privilegiado, manipulando o timing de remessa de informações ao STF.
Passou da conta – O jurista Miguel Reale Júnior, um dos autores do pedido de impeachment de Dilma Rousseff, subiu o tom de suas avaliações sobre o caso. Ele, que antes dizia que era preciso aguardar os desdobramentos, agora afirma que “se vê efetivamente um pendor do juiz na orientação da acusação”.
Passou da conta II – Para Reale, as conversas registradas pela revista e pelo site apontam “um interesse do juiz em favor da acusação, tanto faz contra Lula, Cunha ou Cabral”. “O que espanta é essa proximidade. Conspirando contra a defesa. Presumia-se que a 13ª Vara fosse um juízo rigoroso, mas não comprometido.”
Manda quem pode – Integrantes da elite acadêmica do direito sinalizam entendimento na mesma direção. Entre os políticos, é consenso que os diálogos publicados nessa sexta-feira (5) adicionam novo componente à crise. A solução, eles afirmam, só virá do Supremo. Moro rechaça qualquer ilegalidade.
Aguarde e confie – É crescente, portanto, a expectativa sobre a reação da corte. A avaliação, hoje, é a de que o presidente do STF, Dias Toffoli, mantém distanciamento do caso. O que dirigentes partidários indagam é se permanecerá nessa atitude até agosto, na volta do recesso, com a possibilidade de mais revelações.
Sigamos – Mas Moro mantém apoios valiosos no STF. Há na corte quem ainda defenda o ex-juiz –embora veja com preocupação sinais de ofensiva sobre jornalistas, como a investigação de Glenn Greenwald.
Com as próprias mãos – Do jeito como o texto da reforma da Previdência foi aprovado na comissão especial, será difícil para o governo suavizar as regras para as polícias federais, apostam líderes da centro-direita. Para isso, O Planalto teria que se expor, apresentando emenda ao texto a própria equipe econômica endossou.
Negócios à parte – Para esses líderes, uma ação dessas seria uma “desmoralização” do ministro Paulo Guedes (Economia). Caso enverede por este caminho, o PSL espera contar com uma aliança inusitada: os votos oposição que tanto critica, como PT, PC do B e PSOL.
Débito ou crédito – O pedido de liberação expressa de verbas para bancar emendas de parlamentares, como prometido pelo governo para destravar a votação da Previdência, vem enfrentando limitações técnicas. Apenas o dinheiro da saúde, com origem em fundos que direcionam recursos para gastos específicos, tem desembolso acelerado.
Débito ou crédito II – Muitas obras, como creches, demandam projeto, licitação e previsão orçamentária, ou seja, empenho. Processo que dura, no mínimo, um mês.
Para o espaço – O governo Bolsonaro sofreu uma derrota, na última semana, na Comissão de Relações Exteriores. Num acordo que uniu a oposição e o centro, a votação do relatório que autoriza o uso da base espacial de Alcântara (MA) pelos EUA, acordada pelo presidente com os americanos, foi adiada para agosto. Os parlamentares querem ouvir especialistas antes de votar.
Sacola vazia – A troca de guarda do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) reacendeu especulações sobre o esvaziamento de Onyx Lorenzoni (Casa Civil). O fato de a indicação de Martha Seillier, nome que vai assumir a área, ter sido associada a outros ministros suscitou comentários de que, talvez, Onyx não consiga mandar nem no PPI.
Tiroteio
“Em vez de defender o trabalho infantil, Bolsonaro deveria se preocupar com os empregos dos milhões de pais dessas crianças.”
De João Carlos Gonçalves, o Juruna, secretário-geral da Força Sindical, após o presidente endossar que crianças trabalhem.