Em momento de tensão com o eleitorado do Nordeste, em razão das críticas flagradas na última sexta-feira (19), o presidente Jair Bolsonaro pretende usar ato na Bahia, na próxima terça (23), para virar o jogo em território inimigo. No fim de semana, o Planalto decidiu dobrar o número de convidados da inauguração do aeroporto de Vitória da Conquista – originalmente uma festa fechada para 300 pessoas. Além disso, escalou rivais do governador Rui Costa (PT) para discursar no evento.
Com gente esquisita – Partiu de Rui Costa a iniciativa de rever a lista. Ele havia identificado a presença maciça de críticos e queixou-se ao Planalto. Mas enquanto o número total espichou para 600 convidados, a cota do governador petista subiu apenas de 70 para 100 nomes. Proporcionalmente, a presença de seus apoiadores encolheu.
Meu quintal – O desconforto é tamanho que aliados de Rui Costa passaram a defender publicamente neste domingo (21) ele não vá à cerimônia. Apoiadores dizem, porém, que 1) ele sugeriu a festa e 2) o aeroporto é um feito politicamente relevante.
Ossos do ofício – Em outro trecho da turnê presidencial, Paulo Guedes (Economia) acompanha Jair Bolsonaro a Manaus (AM) na quinta (27). O ministro assume a presidência do conselho de administração da Suframa, que gerencia a Zona Franca e avalia empresas candidatas a receber o incentivo fiscal.
Ossos do ofício II – Guedes tentou entregar a tarefa a um auxiliar, disseram interlocutores, mas não pode. O cargo é de nível ministerial e, até a chegada dele ao governo, era de atribuição do extinto Mdic.
Continência – Na gestão Bolsonaro, a Suframa está sendo comandada pelo coronel da reserva (e aliado) Alfredo Menezes, que nomeou pelo menos oito militares para o órgão.
Na ponta do lápis – Responsável pela mudança que fez o FGTS dividir parte dos lucros com os trabalhadores, o ex-ministro Dyogo Oliveira considera injusta a crítica de que o fundo tem rentabilidade pífia. Segundo ele, no ano passado, o retorno foi de quase 5%. A poupança rendeu 4,6%.
Na ponta do lápis II – Ambos são livres de risco e não recolhem imposto, observa o ex-ministro. A baixa rentabilidade é um dos argumentos de quem defende a liberação irrestrita de saques do FGTS.
Segundo round – Se aprovada, a indicação de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) para a embaixada nos EUA vai abrir nova disputa pela presidência do PSL em São Paulo, que hoje ele ocupa. Uma sucessão natural, a do vice, o deputado estadual Gil Diniz, é vetada por parte da cúpula nacional do partido.
Segundo round II – Lideranças do PSL anteveem confronto de alas divergentes. Aliados de Eduardo não aceitam que a presidência seja ocupada pelo grupo que contesta o comando do filho do presidente, encabeçado pelos deputados Júnior Bozella e Alexandre Frota. O rechaço é recíproco.
Terceira via – Para superar o impasse, dirigentes sonham com a filiação do apresentador José Luiz Datena –ele poderia assumir a presidência da legenda e ainda se candidataria à prefeitura da capital. Caso ele não entre no PSL, a cúpula do partido cogita nomear uma liderança nacional para chefiar o PSL paulista.
Mães e filhos – A percepção de que a crise alterou o perfil dos moradores de rua levou a Prefeitura de São Paulo a fazer um esforço para antecipar o censo municipal de desabrigados de 2020 para este ano.
Mães e filhos II – Há notável crescimento no número de mulheres e crianças vivendo nas ruas da capital paulista, o que demanda uma remodelagem dos abrigos públicos.
Briga de irmão – A disputa pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) azedou o clima na Fiesp. Na última semana, uma reunião acabou em bate-boca entre o presidente Paulo Skaf e Synésio Batista, da associação de brinquedos.
Briga de irmão II – Skaf teria apoiado a chapa rival de Synésio na ABNT e, por isso, foi chamado de traidor. Na briga, Synésio teria contestado ainda a contração de militares pela Fiesp. Disse ver nisso uma tentativa artificial de aproximação com Bolsonaro.
Tiroteio
“A economia está acorrentada por uma máquina pública caríssima, ineficiente e que entrega muito pouco ao cidadão.”
Do ex-governador Paulo Hartung (ES), sobre o aumento de gastos com funcionalismo de União, estados e municípios em meio à crise.