Ex-presidente do Banco Central e um dos maiores investidores do País, Arminio Fraga rejeita o discurso feito por larga fatia do mercado, eufórica com a agenda econômica do governo Bolsonaro.
Ele não endossa a avaliação de que a recuperação da economia virá independentemente de crises em outros campos. “Se dependesse só do econômico, seria uma boa recuperação, mas os últimos dias demonstram a importância dos fatores políticos, sociais e de costumes para o Brasil”, diz.
Como nuvem
Ao Painel, Arminio lembrou que, assim como a política, os mercados são erráticos. Ou seja: se hoje estão em alta, amanhã podem virar para baixo. Ele tem sob sua batuta R$ 12,4 bilhões em investimentos.
Pé no chão
Enquanto a Bolsa bate novos recordes, dados da economia real ainda mostram que a recuperação demora a engrenar. Após os dados de setembro, economistas preveem que a produção industrial fechará o ano no negativo. E o emprego que vem crescendo é o informal, ou seja, o menos qualificado.
Orelha quente
A visão de Arminio é compartilhada por integrantes da cúpula do Legislativo e por governadores que, nos últimos meses, saíram do País ou receberam grupos de embaixadores.
Orelha quente II
A preocupação no exterior com os métodos do presidente Jair Bolsonaro é muito grande – e a degradação da imagem do País segue curva ascendente. Dinheiro grande e de fora, dizem esses políticos, não vai desembarcar tão cedo no Brasil.
Não vai sair ninguém
Ainda que quisesse, Eduardo Bolsonaro (SP), líder do PSL na Câmara, não poderia remover do Conselho de Ética os três correligionários que compõem o colegiado e são ligados a Luciano Bivar, presidente do partido e desafeto do Presidente. O mandato na comissão é de dois anos.
Resta um
O 03 entrou na mira do colegiado após mencionar a possibilidade de “um novo AI-5”. O PSL tem quatro nomes no Conselho de Ética. O único que não é da ala bivarista é Daniel Silveira (RJ), que também será alvo de queixa por ter gravado reunião da sigla.
Fica a lição
Há entre os bivaristas a disposição de aplicar, no mínimo, uma advertência a Eduardo Bolsonaro, sob o argumento de que ele incitou a desordem e, por isso, quebrou o decoro.
Já vai tarde
Integrantes do Ministério Público do Rio de Janeiro dizem que a promotora Carmen Eliza foi praticamente obrigada a se afastar das investigações sobre o assassinato de Marielle Franco. Ela foi avisada de que, se não saísse, seria “saída”.
Já vai tarde II
Eliza tornou-se alvo de pedidos para que deixasse o caso após a divulgação de fotos que mostram que ela trabalhou pela eleição de Jair Bolsonaro. Novas conexões políticas reveladas em grupos de promotores ontem ampliaram o desconforto.
Já vai tarde III
Diversos colegas do Ministério Público receberam fotos em que a promotora aparece em eventos ao lado do governador do Rio, Wilson Witzel.
De enfeite
O incômodo com a promotora tornou-se tão grande que há movimento para que ela deixe também o Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado. O órgão investiga casos de corrupção, muitas vezes atrelados ao governo.
Verão passado
Peritos da Polícia Federal disseram que os promotores do Rio deveriam ter lembrado de erros cometidos pelos colegas da Procuradoria-Geral no caso Joesley Batista antes de divulgar o resultado da análise prematura dos áudios que os levaram a afirmar que o porteiro do condomínio de Bolsonaro mentiu em depoimento.
Na memória
O então procurador-geral Rodrigo Janot praticamente demoliu o governo Temer ao apresentar grampo no qual Joesley conversava com o hoje ex-presidente sobre Eduardo Cunha.
Na memória II
O áudio, porém, não havia sido periciado. Após cobrança, o material foi submetido à Polícia Federal. Só então descobriram que o empresário havia apagado registros de seu gravador. Há semanas, Temer foi absolvido sumariamente da acusação de obstrução de Justiça.
Tiroteio
“A Folha de S.Paulo tem uma história de 98 anos de serviços à democracia. Bolsonaro, dez meses testando a democracia”. Do deputado Pedro Paulo (DEM-RJ), após Bolsonaro ameaçar anunciantes do jornal e determinar o cancelamento de assinaturas.