O governador Renato Casagrande (PSB-ES) reagiu às declarações do presidente Jair Bolsonaro que disse, numa entrevista, que se um dia o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, quisesse saber como o pai (Fernando Augusto Santa Cruz) desapareceu durante o período militar, que ele contaria.
“Essas declarações do Presidente acabam alimentando um tensionamento muito grande da política e alimentam o ódio. É muito ruim para a democracia brasileira e uma desconsideração com a história do Brasil, com o que os brasileiros vivenciaram num período de muito obscurantismo”, disse o governador ao ser questionado pela coluna Plenário.
Casagrande disse também que o Presidente não levou em conta o sofrimento das famílias. “Foi uma declaração muito forte, desconsiderando o sofrimento das famílias. O Presidente precisa ter muita cautela com o que expressa, mesmo que seja para alimentar sua base, isso não ajuda o governo, não ajuda as instituições. Parece que estamos num clima de disputa permanente. Nós lutamos muito para voltar a ter liberdade no País, pessoas morreram. Isso precisa ser respeitado”.
Parlamentares
Mais cedo, em redes sociais, parlamentares capixabas também demonstraram repúdio pelas declarações do Presidente. O senador Fabiano Contarato se solidarizou com o advogado. “Minha solidariedade ao presidente da Ordem dos Advogados do Brasil e aos familiares das vítimas da ditadura militar. O respeito à história do País e à memória dos mortos são demonstrações mínimas de decência exigidas do presidente da República”.
Os deputados Felipe Rigoni e Helder Salomão também se pronunciaram: “É inadmissível que o Presidente ataque um cidadão brasileiro citando a morte de seu pai durante a ditadura. É cruel e incompatível com o cargo que ocupa”, disse Rigoni no Twitter. “Cúmplice da ditadura, Bolsonaro despreza assassinato de Santa Cruz”, escreveu Salomão.
