O projeto que proibia “ideologia de gênero” nas escolas, de autoria do deputado Vandinho Leite (PSDB), foi arquivado nessa quarta-feira (16), numa sessão tensa e desgastante, que poderia ter sido evitada se a Assembleia não tivesse um “acordo de cavalheiros” permitindo a tramitação de projetos inconstitucionais.
Quando deu entrada na Ales, em 4 de fevereiro, a Mesa Diretora deu despacho denegatório ao projeto. Vandinho recorreu na sessão e convenceu os colegas a permitirem que o projeto ao menos continuasse tramitando, o que foi feito. Foi para a Procuradoria. Três procuradores deram parecer pela inconstitucionalidade, por se tratar de matéria do Executivo.
Nessa quarta, a benevolência de se permitir que um projeto irregular chegasse tão longe mandou a fatura: polarização das galerias da Casa, estranhamento e acusações entre os deputados e até incitações de se colocar o governador contra lideranças religiosas. E como pano de fundo disso tudo está a eleição do ano que vem, em que Vandinho é pré-candidato a prefeito da Serra.
Projeto cobra d’água
No folclore político, um projeto inconstitucional é chamado de projeto “cobra d’água”. Recebe esse nome por ser a cobra d’água uma espécie inofensiva entre seus pares. O projeto cobra d’água normalmente é derrubado pela Justiça, mas, quando é debatido no Parlamento, cumpre o papel de fazer barulho e servir de palanque para interesses eleitoreiros.
“Não serei candidato”
O ex-deputado e diretor do Detran, Givaldo Vieira, tem conversado com o Pros sobre alianças partidárias, mas descartou mudar de partido e entrar na disputa do ano que vem. “Não cogito deixar o PCdoB. Não serei candidato em 2020”, disse à coluna. Na semana passada ele se encontrou com as executivas estadual e municipal do Pros de Cariacica.
Sobrou até para o Zezito
Na sessão que arquivou projeto de “ideologia de gênero” sobrou até para o segurança Zezito Maio, que foi confundido com um deputado e xingado. “O pessoal da direita me viu de terno e me xingou de vagabundo, tentei explicar que não era deputado, mas não teve jeito. São mais radicais que a esquerda, tinha uma mulher que parecia um pit bull”.
Espírito Santo nunca decepciona!
E depois do deputado Capitão Assumção, que ofereceu R$ 10 mil para quem matasse um assassino, foi a vez da federal Soraya Manato colocar o Espírito Santo na pauta nacional.
Em discurso na Câmara Federal, a deputada admitiu que o PSL teve candidatos laranjas, mas que a maioria foi eleita honestamente. Jogou o holofote para o marido, Carlos Manato, presidente do PSL-ES.
Qual será o partido ideal para abrigar Rigoni?
O deputado federal Felipe Rigoni, que entrou na Justiça para deixar o PSB sem perder o mandato, já foi convidado por 15 partidos. Ao ser questionado para qual iria, disse que escolheria um que tenha democracia interna, compliance, cuidado nos gastos com Fundo Partidário e Eleitoral, que seja mais liberal na economia e mais progressista nas questões sociais, que fuja dos extremos e que una as forças centro-democráticas. Esse partido existe?
Galeria
Em horário de trabalho
Entre os manifestantes que lotaram a galeria da Assembleia nessa quarta havia assessores de vereadores.
Desconforto
Era notório o desconforto do deputado Eustáquio de Freitas ao relatar, debaixo de vaias e xingamentos de parte da galeria, o parecer pela inconstitucionalidade do projeto sobre “ideologia de gênero”. Não parava de tomar água e às vezes tremia.
Sob medida
Até a leitura do versículo bíblico na Ales entrou no clima do debate, nessa quarta. Chamado a citar um texto bíblico no início da sessão, o deputado Danilo Bahiense citou Gênesis 1:27, que fala da criação de macho e fêmea.
Capixaba debate na CPMI
O professor Fábio Malini, coordenador do Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura da Ufes é convidado da CPMI das Fake News.