Durante o processo de expansão marítima de Portugal por vários reinados, foi determinado não somente a expansão da religião católica, com os símbolos religiosos, com prevalência da Cruz relativa a Ordem dos Cruzados, e que, em todo território conquistado, fosse implantado um marco em pedra granito com a cruz e o brasão do rei da época, era o marco da posse da terra nova.
E em seguida e providenciavam também a construção de uma capela.
A primeira igreja a ser construída na Prainha de Vila Velha, segundo alguns historiadores, foi em homenagem a Santa Catarina, em 1535, onde hoje é a entrada velha do Convento da Penha, que por ser de madeira pegou fogo, o que provocou a construção de uma pequena capela em alvenaria, onde até hoje se encontra, que foi ampliada com o tempo. Havia um cemitério nos fundos, onde temos hoje a Praça Otávio de Araujo, e que foi transferido para o centro de Vila Velha.
Sob a orientação do IPHAN, em março de 2011, foram realizadas escavações nas laterais da Igreja do Rosário, e com isso foi possível observar o alicerce da Igreja, feita pelos jesuítas, no século XVI e XVII, aparecendo a argamassa de cal de concha, que foi usada, e as pedras que assim foram rejuntadas.
Ficaram evidentes no alicerce vestígios de que havia até por volta de 1910 a antiga, ainda que modesta instalação da Casa da Caridade, precursora da Santa Casa de Misericórdia, que foi transferira para Vitória.
A primeira igreja que foi construída no Brasil em 1532, por Martin Afonso de Souza, em São Vicente (SP) foi destruída por uma forte ressaca, devido estar à beira mar, em 1542, e sua reconstrução se deu em 1757. A segunda foi a Igreja Nossa Senhora da Sé, construída por Duarte Coelho em Olinda, em 09 de março de 1535, mas por ser de madeira pegou fogo em 1584.
Também foi construída em 1535 em Pernambuco, a Igreja de Cosme e Damião, mas foi semidestruída pela invasão holandesa, e só reconstruída em 1654. Que junto com a nossa Igrejinha da Prainha, é também uma das mais antigas em funcionamento litúrgico do Brasil, desde a sua fundação em 1535.
Após a sua restauração pelo Governo do Estado em 2016, e tendo o acompanhamento do Iphan, a Igreja de Nossa Senhora do Rosário, padroeira de Vila Velha, ganhou de presente um belíssimo livro: “A Igreja de Nossa Senhora do Rosário da Prainha do Espírito Santo”, escrito pelo jornalista, professor, mestre e doutor José Antonio Martinuzzo. Um registro que não existe, contando toda a sua história, em 100 páginas separadas em três atos, com belíssimas fotografias de Rosane Zanotti. O projeto gráfico é da dupla Allan Ost e Zota Coelho”.
Este livro é um excepcional documento jornalístico histórico, resultado de profundas e intensas pesquisas, de um monumento histórico religioso que remonta do início da Colonização do nosso Solo Espírito-santense. O livro não será vendido. Será distribuído gratuitamente nas principais bibliotecas municipais.
A restauração e a preservação da histórica Igrejinha da Prainha, é fundamental para o fortalecimento do sentimento de pertencimento de todos nós capixabas, fortalecendo mais a nossa identidade.
Manoel Goes Neto é presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Vila Velha e diretor no IHGES