A Feira Bett Educar é um evento referência na América Latina para o setor educacional e reúne os maiores especialistas no assunto para discutir os desafios do setor. Nos últimos dois anos, a discussão do evento foi voltada para as mudanças da Base Nacional Comum Curricular (BNCC).
Agora já homologada, a BNCC instituiu uma série de competências desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e as escolas são obrigadas a cumpri-las.
Este ano a tecnologia aplicada à educação – conhecida como Educação 4.0 – entrou com tudo em pauta. Tanto os palestrantes quanto os expositores, levaram propostas que colocam o aluno no centro do processo de aprendizado. Essa é a mudança de paradigma da Educação 4.0: o estudo construído pelo aluno. Agora o aluno não é apenas um espectador, mas sim o receptor de conhecimento. Com a mudança, o currículo de sucesso passa a explorar metodologias ativas ao trabalhar com projetos, investigação, resoluções de problemas, produções de narrativas digitais e desenvolvimento de atividades maker (uma extensão da cultura faça-você-mesmo que incentiva confiança e iniciativa para solucionar problemas), transformando as ferramentas digitais em linguagem.
Diante dessa nova realidade e da busca pela inserção de tecnologia nas escolas, o maior desafio está com os gestores e alguns professores que ainda não são de uma geração tecnológica e têm dificuldades até de utilizar as ferramentas digitais que a escola dispõe. O desafio está aí, fazer com que esses profissionais consigam absorver as mudanças da educação e acolher a tecnologia no processo educativo.
Para muitas escolas – principalmente as particulares – a Educação 4.0 já é uma realidade. Desde o sistema de gestão até chegando no sistema de ensino, já é possível ver intuições que utilizam essa tecnologia a seu favor e estão alinhadas à essa nova realidade de ensino. Essas escolas são as que têm gestores mais conectados! É fácil notar que essa postura está ligada ao perfil dos profissionais daquela instituição e da equipe de professores e facilitadores que foi construída ali.
Então o foco e a preocupação, daqui em diante, não será nos recursos tecnológicos e sim em como utilizá-los para proporcionar interação, ludicidade e coletividade. A vivência e a experimentação durante a aprendizagem serão valorizadas, bem como o desenvolvimento de competências socioemocionais e criativas.
Essa nova prioridade faz parte do termômetro de qualidade dos serviços que veio mudando junto com as pequenas revoluções que a tecnologia promoveu no dia a dia do consumidor. Outra tendência apresentada na Bett Educar é a busca por aplicativos mais robustos, os super apps, em que alunos e pais conseguem resolver praticamente tudo que precisam. As escolas oferecem mais funcionalidades operacionais. Já não é mais necessário, por exemplo, o pai ou responsável ter que comparecer à escola para assinar documentos graças à tecnologia da informação.
Assim, a busca pela aplicação da tecnologia na educação se amplia, já que a tecnologia oferece soluções e resolve problemas que antes nem existiam. Continuamos a acompanhar essas demandas mesmo depois da feira, pelas conversas com gestores escolares e suas demandas por soluções voltadas para a educação e vamos construindo juntos uma nova cultura educacional voltada para a inovação, a invenção, a resolução de problemas, a programação e a colaboração.
Cláudia Coelho Fuzer é professora e analista de sistemas da informação.