Ainda que impensável política baseada em “emprego sem crescimento”, o contrário – fundada em “crescimento sem emprego” – também não condiz com a forma como atualmente é explorada, devido à relação entre uma coisa e outra.
Embora o desemprego, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho), alcance quase duzentos milhões de pessoas no mundo e empregos precários ou vulneráveis ultrapassem um bilhão, enquanto a globalização subtrai dos países autonomia de sua economia, quando se trata do antídoto, possível vacina, apesar do longo tempo que o caos presente se vaticina, seja sob muros, seja sob murros, repele cada qual à sua sina, pela qual ninguém assina.
Pudera! Enquanto a economia ganha contornos de “divinização”, o trabalho, em sentido oposto, a “judascialização”.
No fundo, o trabalho, como mero e desprestigiado departamento da economia, é caminhar sinistro, perda de identidade que registro, exemplificando-a a própria extinção da condição de ministro.
Como a economia global pende para grandes investidores, por eles, também, batalhão de lobistas nos corredores, afora ilustres outros senhores, o contraponto do trabalho, como nunca, necessita de firmes apoiadores, aliás, políticas públicas essenciais vão bem além das bolsas de valores.
O trabalho, que já foi escravizado, evoluiu quando das correntes libertado, porém, atualmente, perante a economia, é o grande vilanizado.
Evolução que se apregoa é tudo automatizado, enxuto de ser humano, infeliz desqualificado, como diariamente assim rotulado, aquele que não cabe no estreito perfil do mercado.
Não basta mestrado ou doutorado, quanto mais o pobre desempregado, que não conseguir “empreender” qualquer coisa que lhe garanta ao menos o supermercado, e que engrossará, no fim, o rol dos milhões pelos demais sustentado!
Enfim, algo está muito errado! Enquanto há anos inúmeros benefícios são exigidos e concedidos aos pilares desse tipo de globalização aqui aportar, como pode sonho crescente dos indispensáveis jovens brasileiros ser enfrentar rígidas regras de outro país para poder emigrar, com melhores perspectivas de trabalhar, seguida de remuneração digna para se sustentar?
Nunca se reformou tanto! Enquanto até justiça com nome de trabalho se pretende acabar, nunca se disse, sobre direitos, que tanto ainda há a transformar, sem mínima evidência de que isso fará o país melhorar, sequer, não piorar!
Apenas aderência ao estímulo global a todo tipo de mecanismo que diminua o fundamental valor alcançado ao longo do tempo pelo trabalho humano.
Assim, rebaixado a oneroso custo que precisa ser urgentemente enxugado, ações continuarão firmemente voltadas para o ônus que representa o trabalhador, antes mesmo da prioritária obrigação, de imediata ocupação, dos milhões de desempregados, cujo contingente, nesse contexto, só aumenta, pois dele se alimenta.
Aliás, ao invés de exercerem o trabalho, contribuindo, inclusive, para custear os pesados encargos sobre a ação, dentre outros da nação, desempregados são fraudados nesse universal direito ínsito à dignidade, que resulta, por sua vez, em incremento da sua vulnerabilidade, não raro, a propósito, objeto de exploração, especialmente em época de eleição!
Luiz Antônio de Souza Silva é promotor de Justiça e escritor