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Abalou Nova Iorque

Deportada dos Estados Unidos em 2008, após aparecer envolvida num escândalo sexual que levou à renúncia o governador de Nova Iorque Eliot Spitzer, ...

Jornalista, músico e colaborador do Tribuna Online

Última atualização

Deportada dos Estados Unidos em 2008, após aparecer envolvida num escândalo sexual que levou à renúncia o governador de Nova Iorque Eliot Spitzer, uma capixaba voltou para o Espírito Santo trazendo na bagagem uma história ruidosa. Tempos depois, ainda surfando na “popularidade” do caso, resolveu ser candidata a deputada estadual. Em sua plataforma, falou em incrementar o turismo, suscitou piadinhas machistas e teve votação pífia. Seria só mais um case eleitoral da série “Quando o fracasso sobe à cabeça”, se ela não simbolizasse o sonho que permeia meio mundo jovem: de “fazer a América” ou buscar oportunidades em outros países.

Por razões diversas, ela tinha ido para os Estados Unidos. Para quem chegou lá em busca do sonho do green card, foi longe. Quando o escândalo sexual do governador estourou nos tabloides americanos, ela morava num apartamento próprio (financiado com prestações a perder de vista) perto do Central Park, área de metro quadrado mais caro da “cidade que não dorme”, a grande maçã e tal. Agenciava acompanhantes – pelo menos foi isso que declarou aos jornalistas americanos –, e foi daí que acabou envolvida no caso Eliot.

Em crônica recente sobre as mudanças do vocabulário de sexo, Luiz Fernando Verissimo fez menção a ela observando que “desde que a bossa nova chegou aos EUA, nenhum brasileiro tinha influenciado tanto a vida americana quanto a cafetina capixaba”. Mais adiante ele explica que se lembrou do caso porque ainda não surgiu no Brasil nada parecido nos escândalos de cada dia e nas revelações sobre os nossos corruptos. “Uma dedução inescapável é que nossos corruptos não têm vida sexual”, ironiza Verissimo. Imagina: Aécio quase santo, as festinhas ingênuas do Palocci, em Brasília, a fidelidade conjugal dos delatores da JBS…

O que Verissimo não revelou do escândalo sexual que abalou Nova Iorque foi que matérias veiculadas, na época, apontaram que seria outra a mulher envolvida com Eliot. E que a capixaba apenas colaborou com o processo dando à polícia informações sobre a rede de prostituição que atendia figurões da alta sociedade. Porém, ao sentir a repercussão do caso, a capixaba teria resolvido surfar naquela onda midiática e se passado pela outra que mantinha relações com Eliot, no caso, Ashley Dupré. Por fim, como parte da sua colaboração à polícia, ela foi “apenas” deportada.

De volta ao futuro: após o seu fracasso eleitoral numa arena machista que mulheres não dominam – e costumam ser inscritas apenas para preencher cota de campanha fixada pelo TSE –, ela morou no Espírito Santo por uns tempos, andou falando em montar aqui algum negócio ligado ao turismo. Depois, saiu dos holofotes e sumiu do mapa. Ano passado, falando ao telefone com um repórter, ela revelou que residia na Europa, costuma passar temporadas em Ibiza, famoso balneário da Espanha, e também em Londres.

Seja como for, a vida desta andarilha capixaba dá livro, talvez filme, não faltam riscos e fortes emoções. Sua trajetória está de algum modo associada às levas de brasileiros que saem do País em busca de renda e emprego, de qualidade de vida, de menos violência, de algo mais promissor do que subempregos, Temer, Lula, Bolsonaro etc. Muitos, como ela, partem sem garantia de nada, se jogam no game “tentativa de erro e acerto” da vida como ela é. E isso num tempo em que só aumenta a intolerância e aversão aos imigrantes nas frágeis fronteiras do mundo.

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