
As variedades linguísticas são um dos componentes dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) da disciplina de Língua Portuguesa. Essas variedades decorrem de fatores, como nível sociocultural, idade e região do falante.
Em geral, os docentes abordam três tipos de linguagem: informal, formal e comum. Todas têm sua relevância, pois o uso dependerá das situações reais de comunicação. Quer dizer, deve-se prezar sempre pela adequação – aqui reside o falar e o escrever bem.
É comum as crianças chegarem à escola fazendo uso de linguagem coloquial – normalmente, é a única conhecida e utilizada em seu cotidiano, principalmente quando se trata de alunos de classe social menos privilegiada. Por essa razão, não se deve exigir desse grupo uma linguagem rebuscada.
A escola também tem como função social propiciar aos falantes nativos o conhecimento de uma outra variedade linguística: a língua-padrão. Vale lembrar que ensinar a língua-padrão não significa abolir a utilizada e conhecida pelo aluno.
Deve-se salientar que a linguagem formal é mais uma tipologia. No entanto, não se pode negar que ela carrega sobre si a detenção de poder, visto que, por meio dela, é possível reconhecer a que nível sociocultural pertence o falante.
Reportando-se às palavras de Gnerre (1978): “A linguagem constitui o arame farpado mais poderoso para bloquear o acesso ao poder”. Por isso, a escola deve ser o lugar para aquisição e ampliação do saber institucionalizado. Assim, alunos de escolas públicas e privadas poderão aprender em grau de igualdade. Logo, o estudo da língua, em sentido lato, permite ao falante adquirir domínio e competência linguística.
Na obra “O texto na sala de aula”, Geraldi (1997) afirma que a língua-padrão resulta de uma imposição social que desclassifica os demais dialetos.
Contudo, é imprescindível ensiná-la na escola, visto que um dos propósitos da instituição de ensino é superar as desigualdades sociais ou, ao menos, amenizá-las, por meio de conhecimento ampliado, diversificado e universal, além, é claro, de domínio de leitura, escrita e oralidade.
Ressalta-se que o ensino-aprendizagem da língua/linguagem não se restringe apenas a nomenclaturas. A utilização de recursos linguísticos, conforme situação concreta de interação, também é uma forma de estudo e, consequentemente, de aprendizagem.
Torna-se necessário entender que não basta ensinar e estudar a língua-padrão na escola; é preciso, sobretudo, que o aluno se torne sujeito do seu próprio discurso e que tenha condições de interagir no discurso do outro com propriedade. Dessa forma, compreender-se-á a importância da Língua Portuguesa na escola e fora dela.
Andreia Coutinho é advogada, escritora e professora de Língua Portuguesa & Redação. Autora do livro “Como corrigir produções de textos escolares”