O rompimento da barragem do Feijão, em Brumadinho (MG), ocorrido sexta-feira (25), se anuncia como mais uma grande tragédia humana. O momento é de busca por sobreviventes, de apoio aos feridos e às famílias e de oferta de todo suporte possível à população afetada. A informação oficial é de que 12,7 milhões m³ de volume de rejeitos vazaram, cerca de quatro vezes menor que o vazamento da barragem de Fundão, porém com impacto de perda de vidas humanas muito superior (19 em Mariana e, até o momento, 60 em Brumadinho).
Os motivos deverão ser investigados, embora já exista uma percepção da sociedade de quais seriam os motivos não-técnicos para mais este desastre. A história e a experiência mostram que os fatores que levam ao rompimento de uma barragem estão associados a um erro na análise de risco ou à negligência dos gestores.
A gestão de barragens de rejeito de minério e seu manejo é uma questão mundial que está na pauta do Programa Ambiental das Nações Unidas (Unep). Devido ao desastre de Mariana, o Unep por meio de um relatório elaborado com a participação de pesquisadores e gestores de diversos países, inclusive do Brasil, disparou para o mundo um alerta de que uma mudança na gestão do manejo de rejeito se faz necessária, ressaltando a importância de se abrir uma discussão e buscar melhores práticas sobre o tema.
Baseado nesse relatório, a Unep reuniu em dezembro de 2018, no Canadá, um grupo de especialistas para discutir um caminho para a gestão do rejeito de minério no mundo. A RRDM foi a única organização brasileira representada nesse encontro. O relatório com encaminhamentos está sendo finalizado e já anuncia uma conferência mundial visando mudanças e melhores práticas no manejo do rejeito para que se alcance rejeito zero.
Como professores, entendemos que a questão sobre o manejo de rejeito de minério precisa ser diretamente atacada pelos vários setores da sociedade e que a melhor maneira de se buscar uma solução, de forma mais sustentável, é através da educação. Desde a formação qualificada e capacitação dos técnicos até a educação nas escolas sobre o que é a mineração, suas vantagens e desvantagens, especialmente, os riscos associados.
A contínua atualização técnica aliada à experiência profissional são as melhores ferramentas para se evitar erros em projetos, na manutenção e no monitoramento dessas estruturas. Há a necessidade de se colocar a vida humana no topo da segurança, a qualquer custo.
Todos os setores da sociedade, incluindo a indústria e governo, precisam entender que o desenvolvimento sustentável é uma necessidade moderna e que o meio ambiente faz parte do custo operacional de qualquer empresa.
A legislação ambiental ou qualquer legislação que fale sobre a segurança da vida, não pode ser tratada como um vilão do desenvolvimento e da geração de empregos, e sim como mais uma etapa no processo produtivo, tendo uma valoração independente dos custos.
Não há mais espaço na vida da sociedade para tragédias como a de Brumadinho, bem como a impunidade dos responsáveis.
Alex Bastos é professor de Oceanografia da Universidade Federal do Espírito Santo e coordenador técnico da
Rede Rio Doce Mar