Estamos em março e as famílias sentem no bolso o peso das contas, como material escolar, rematrícula, IPVA, IPTU, Imposto de Renda e por aí vai. Quem dirá, para quem já carrega os débitos antigos.
Assim, como eliminar gastos se mal conseguimos pagar nossas contas e ainda acumuladas com as de anos anteriores? Como é possível quitar nossas dívidas? A tarefa não é das mais fáceis e rápidas de resolver, mas sempre há uma luz no final do túnel.
Infelizmente, o número de pessoas com as contas no vermelho cresce a cada dia. Em 2018, um total de 62,6 milhões de pessoas fecharam o ano com o CPF negativado, o que equivale a 40% da população adulta brasileira, de acordo com os dados da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).
E não é para menos ver este cenário com tanta gente endividada, já que vivemos na chamada Sociedade de Consumo, a sociedade pós-moderna nossa, de cada dia.
O sociólogo Bauman explica o “consumo, logo existo”: somos analisados e “consumidos” pelas aparências que temos diante de todos.
Assim, precisamos estar sempre investindo em nós mesmos, consumindo, para ampliar este “valor” em nossa sociedade e a demanda sobre nós mesmos.
Para tentar encontrar soluções, primeiramente, é preciso não se abater, não cair na falta de entusiasmo ou até a depressão.
Assim, na tentativa de contribuir para lidar com situações em que dívidas estão atormentando, enumero algumas orientações.
Lembrando que, em alguns casos, vale a pena procurar ajuda dos profissionais do Procon, de um consultor ou participar de algum curso ou workshop de Educação Financeira.
Primeira dica: anote tudo! Sim, tudo, desde o que você pretende comprar até o quanto e o que você já comprou.
Depois, crie metas. É preciso criar uma meta de quanto irá poupar por mês e quanto irá gastar.
A seguir, pesquise antes de comprar. Existem aplicativos que fazem comparação de preço entre produtos.
O ideal também é deixar o cartão de lado. É preciso banir as compras parceladas, elas são um dos maiores vilões para os endividados. Além do mais, muitos produtos têm desconto se pagos à vista.
Controle-se. Elimine os desperdícios e os supérfluos, como, por exemplo, sair para comer fora, TV a cabo, viagens… Lembre-se que no final vai valer a pena.
Também não faça mais empréstimos. Ao contrário do que muitos pensam, o empréstimo não salva, ele te ajuda a afundar mais, pois a partir de um certo tempo você tem que devolver esse dinheiro, que por sua vez contém juros.
Por fim, renegocie a sua dívida. Tente juntar a maior quantia de dinheiro possível. Caso os juros e o valor da dívida sejam muito altos, converse com o seu gerente para tentar renegociar esse valor e os juros.
Enfim, o segredo não é ganhar mais dinheiro como todos podem pensar, mas, sim, desenvolver a Educação Financeira, é aprender a administrar melhor o que recebe, adequando comportamentos, hábitos e atitudes, em relação aos recursos financeiros.
Temos uma falsa ilusão de que, se nossa remuneração fosse maior, resolveria tudo, mas não é verdade. Nosso rendimento pode aumentar, mas as dívidas irão persistir.
Assim, certamente, teremos mais chances de seguir e uma vida tranquila alcançando nossos objetivos e conquistando nossos sonhos.
Paulo Costa é palestrante e coach financeiro