
Nos Estados Unidos, há pelo menos cinco anos, escolas trocaram os livros por tablets, conectaram e equiparam as salas – as aulas podem ser acompanhadas de casa em tempo real por alunos faltosos ou por aqueles que querem revisar o material – e criaram um layout diferenciado para incentivar a participação no ambiente educacional tecnológico, como, por exemplo, mesas circulares.
Na China, recentemente, um colégio instalou câmeras de reconhecimento facial em uma sala, piloto do projeto denominado “smart eye” (olho inteligente, na tradução), que tem como propósito identificar o grau de envolvimento dos alunos no decorrer das aulas e tomar medidas, seja por meio de notificação ao professor seja para melhoria do conteúdo e método de ensino.
Por meio de câmeras e computadores, a escola sabe se o estudante está distraído, neutro, feliz, triste, decepcionado, assustado ou surpreso. A intenção é instalar em toda a instituição.
No Brasil, essa evolução chega aos poucos, principalmente no ambiente EAD. No último ano, o número de cursos aumentou em 127%, após a regulamentação das aulas on-line. Pesquisas já apontam que, em cinco anos, a educação pela internet deverá superar à de ensino presencial.
Esse boom se deu, na minha opinião, por dois principais motivos: demanda por interessados em aprimorar seus estudos e a ampliação da carga horária nas escolas. Hoje, praticamente todas as faculdades do Estado trabalham com algum tipo de ambiente on-line.
O EAD se tornará uma importante ferramenta complementar ao ensino educacional. A própria Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) já afirmou que os resultados de exames de desempenho dos estudantes de EAD são iguais ou melhores dos que optam pela modalidade de estudo tradicional, visto o envolvimento e a responsabilidade com a prática virtual.
Acredito, entretanto, que o futuro desse tipo de formação dependerá muito do desenvolvimento dos estudantes em autoaprendizagem por meio das tecnologias.
No EAD, o ponto mais desafiador é a disciplina no cumprimento de roteiros, horários e o programa. É preciso ter envolvimento e responsabilidade.
Atualmente há inúmeros portais para pessoas interessadas em estudos para concursos públicos, por exemplo. Com preços inferiores aos cursos presenciais – por conta da chamada economia colaborativa, com custo marginal zero —, o estudante acessa essas aulas por meio de assinatura mensal ou por módulo. E não é apenas para concursos, existem escolas virtuais de diversas áreas.
Não temos como vendar nossos olhos para essa nova realidade. E faço aqui uma ressalva: acredito num futuro com equilíbrio entre aparatos tecnológicos e outras atividades, como esportes. Importante e essencial também a atenção e supervisão dos responsáveis em todo o processo, principalmente com os mais novos.
Paulo Victor Vescovi é diretor da Phidelis Tecnologia