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Os idosos e a depressão

Com o passar dos anos, que traz o envelhecimento, as relações sociais das pessoas idosas tendem a diminuir. Em razão da aposentadoria, por exemplo, ...

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Com o passar dos anos, que traz o envelhecimento, as relações sociais das pessoas idosas tendem a diminuir. Em razão da aposentadoria, por exemplo, muitos passam a ficar mais tempo em casa. Ou, ainda, a viuvez, outra situação que contribui para a solidão e, com o tempo, pode levar a comportamentos de isolamento.

Mas o fato é que a convivência social é um fator primordial para a qualidade de vida de pessoas de todas as idades e tem um papel muito importante na promoção e manutenção da saúde física e mental da população idosa.

Mais do que promover bem-estar, um bom convívio social também ajuda na prevenção da depressão, uma das doenças que atinge de forma significativa as pessoas com mais de 60 anos.

Resultados do Estudo Longitudinal da Saúde dos Idosos Brasileiros (ELSI-Brasil), de 2018, do Ministério da Saúde, revelam que 14% dos idosos entrevistados sentem solidão sempre e 29% não têm filhos ou os encontram menos de uma vez no ano. O levantamento contou com um total de 7.651 participantes.

O estudo revelou, ainda, que a depressão atinge 11,1% dos idosos, sendo que a faixa etária com maior incidência da doença é entre 60 a 64 anos.

Os dados desse estudo, portanto, vêm reforçar a importância dos nossos idosos preservarem suas amizades, como forma de não ficarem isolados em casa e não se sentirem esquecidos. Ou seja, mais do que manter contato apenas com familiares, é fundamental manter ativas aquelas relações por afinidade, como os amigos da igreja, da fisioterapia, da academia, da pracinha, do centro de convivência ou da vizinhança. É uma forma de se manter dinâmico, saudável e fortalecer os laços afetivos que não precisam se dissolver só por causa da chegada da velhice.

E o fato de estar aposentado ou viúvo não quer dizer que não há mais nada a se fazer. Pelo contrário. É importante atentar para a necessidade de não se isolar, considerando que uma convivência saudável é aquela que contempla, pelo menos, uma atividade envolvida, desde exercícios físicos, grupos de leituras, jogos de cartas, bordados, artesanatos e muito mais.

Ficar sozinho é um gatilho para a depressão, que pode se manifestar, não apenas em crises de choro e apatia, por exemplo. Ansiedade, queixas mais constantes que o normal e pessimismo exagerado são alguns sinais de alerta.

E vale ficar ainda mais atento quando se fala em prevenção. Por isso, reforça-se tanto a necessidade de investir numa rede de relacionamentos sadia.

No Reino Unido, o governo anunciou uma verba equivalente a R$ 9 bilhões para projetos comunitários nos próximos cinco anos. O recurso será destinado a obras como construção de jardins, clubes de caminhada, espaços de arte, culinária e outros projetos que promovam encontros.

Exemplos como este poderiam servir de inspiração no Brasil, afim de termos, num futuro próximo, um país mais preparado para acolher nossos idosos.

Paralelamente, a família sempre terá um papel fundamental nesse processo. É possível colaborar, mesmo com todas as obrigações do dia a dia, com organização, criando agenda e revezamentos para que facilite a participação do idoso nessas atividades e concomitantemente se estimule o convívio familiar.

Gustavo Genelhu é médico geriatra

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