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Outro lado da reforma da Previdência é possível

A atual proposta de Reforma da Previdência, se aprovada, gerará economia. Contudo, causará também um imensurável impacto social negativo, pois ...

José Irineu de Oliveira

Última atualização

José Irineu de Oliveira (Foto: Tribuna Livre)A atual proposta de Reforma da Previdência, se aprovada, gerará economia. Contudo, causará também um imensurável impacto social negativo, pois afetará principalmente os mais pobres que, durante toda a vida, trabalham recebendo baixos salários e enfrentando o desemprego, informalidade e outras precariedades.

Por outro lado, muito melhor para as contas da Previdência Social seria adotar uma medida totalmente oposta no que tange à inclusão dos brasileiros no mercado de trabalho e na vida cidadã: que o governo federal lidere a geração de 10 milhões de empregos, que por sua vez farão com que a Previdência Social, em dez anos, arrecade 300 vezes mais do que poderá economizar com a atual proposta.

Vamos aos números: lembramos que, em março, foi ultrapassado o marco de 12,7 milhões de desempregados no Brasil; ou seja, quase 13 milhões de pessoas sem salário (logo, sem condições de consumir e de contribuir com a Previdência). Recurso que, se na mão dos trabalhadores gera consumo, na mão dos “investidores” vira estoque!

Porém, com 10 milhões de pessoas empregadas a mais, recebendo salário de R$ 1.000,00, a contribuição previdenciária anual de cada um desses trabalhadores seria de R$ 1.040,00 (8% vezes 13 remunerações ano, incluindo o décimo terceiro), o que então multiplicado por 10 milhões de pessoas faria a Previdência arrecadar, em dez anos, mais de R$ 300 trilhões – ou seja, 300 vezes mais do que o governo pretende economizar com a Reforma da Previdência!

É uma conta muito simples – nem precisa ser contador ou economista para fazê-la…

E como gerar esses empregos? Não precisa ser complicado: estimulando as micro e pequenas empresas com crédito decorrente da taxação das grandes fortunas (conforme previsto na Constituição Federal). Desestimulando, portanto, a especulação financeira, que corrói gravemente inclusive as contas do Tesouro Nacional. Assim, a roda da economia poderia voltar a girar.

Seria necessário, é verdade, um movimento de liderança para que os especuladores financeiros de fato passassem a ser chamados de investidores, sendo conduzidos a participar do desenvolvimento do país, investindo no crescimento da economia e, desse modo, saindo da agiotagem financeira. Esta é uma tarefa de governo.

E assim se resolveria a parcela do problema da Previdência Social que diz respeito ao desemprego e aos baixos salários (precarização esta agravada pela Reforma Trabalhista de 2017).

Com a renda concentrada como permanece no Brasil, por outro lado, o consumo vai reduzindo; as pequenas e médias empresas vão falindo; a população fica cada vez mais empobrecida e os sistemas públicos de saúde, de educação e de segurança voltam a sofrer com a falta de investimentos. É um caos que impacta a todos!

Ou seja, além de todos perderem com a redução da massa salarial no curto prazo, em sendo aprovada a atual proposta de Reforma da Previdência, deixa de ganhar o país como um todo, pois se concentrará ainda mais a riqueza.

Mas ainda dá tempo de lutar contra isso! Um país riquíssimo como o Brasil precisa distribuir melhor sua riqueza, colocando mais dinheiro na mão de quem de fato produz e consome, garantindo assim dignidade a todos.

José Irineu de Oliveira é advogado previdenciário há 35 anos
 

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