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Polícia Interativa: uma marca capixaba

O ano era 1994, seis após a promulgação da Constituição Federal de 1988, o então tenente, hoje coronel da reserva da PMES, Júlio Cézar Costa, ...

Sandro Roberto Campos é major PMES Chefe da Divisão de Polícia Comunitária.

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O ano era 1994, seis após a promulgação da Constituição Federal de 1988, o então tenente, hoje coronel da reserva da PMES, Júlio Cézar Costa, apresenta no programa “Fantástico” uma ação em Guaçuí que ecoou em várias partes do Brasil e além de seus limites: a Polícia Interativa.

O coronel relata que “ainda tenente, reencontrou-se com um de seus instrutores na PM de Pernambuco – onde se formara Aspirante a Oficial da PMES – e tal oficial perguntou-lhe sobre os projetos que realizava na cidade de Guaçuí. Ao responder que trabalhava a ideia de uma polícia que interagia mais com a comunidade, recebeu, em tom de brincadeira, a seguinte resposta: “então, estás fazendo uma polícia interativa”.

A filosofia implantada no Espírito Santo foi considerada um “divisor de águas” na segurança pública capixaba. A aproximação das agências policiais junto às comunidades no sentido de canalizar seus anseios é a metodologia mais legítima no mundo internacional. Para uma visão além do “call center”, a filosofia alcança posturas culturais de transformações para cada realidade local.

Segundo os célebres autores norte-americanos Robert Trojanowicz e Bonie Bouqueroux, “o policiamento comunitário é uma filosofia de patrulhamento completo em que o mesmo policial permanece atuando numa mesma área num considerável tempo de modo a conhecer as realidades locais da comunidade onde atua e, ao mesmo tempo, ser conhecido pela sociedade local e ter seu trabalho legitimamente reconhecido e apoiado”.

O conceito demarca aspectos de atuação cotidiana da polícia. Há sinonímia entre os termos “interativa” e “comunitária”. Mas, em solos capixabas, a contundente marca é inesquecível.

Outros renomados oficiais capixabas, hoje coronéis da reserva foram ícones, como Andrey Carlos Rodrigues, Jailson Miranda, João Antonio da Costa Fernandes, Ênio Chaves dos Reis, Pedro Delfino, Cássio Clay Bassetti, além do saudoso major Giuliano Tatagiba (já falecido) que apresentou a Polícia Interativa ao lado de ícones mundiais na cidade de Otawa-Canadá e tantos outros deixaram suas marcas.

Segundo Cláudio Beato e Nazareno Marcineiro, dois brilhantes pesquisadores, autores nacionais de livros no contexto da segurança pública, a Polícia Comunitária no Brasil nasceu no Espírito Santo a partir da polícia interativa. A Polícia Militar capixaba é considerada bicampeã na comunitarização da segurança pública.

Na história de conquistas, em 2001 alcançou a 1ª colocação no Concurso Nacional de Polícia Comunitária patrocinado pela empresa Motorolla do Brasil com o projeto “Morro do Quadro” e em 2009 por meio de escolha popular na Feira da Segurança Pública na 1ª Conseg em Brasília com o projeto “Repas” em Guarapari.

Contemporaneamente há gritante limitação de recursos, isso empurra a instituição a criar formas tecnológicas de combate ao crime, mas ainda muito afastadas do mais relevante cenário que se pode alcançar: a identificação, priorização e resolução de problemas em conjunto com as comunidades. Este é o caminho da democratização da segurança pública. A polícia interativa foi essa marca e estará grafada para sempre em todas as memórias de quem presenciou as transformações institucionais à época e que tem como referência para futuras e adequadas construções sociais. Sempre!

Sandro Roberto Campos é major PMES Chefe da Divisão de Polícia Comunitária. Diretoria de Direitos Humanos e Polícia Comunitária

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