Em recente entrevista, o presidente da OAB Nacional, Felipe Santa Cruz, apresentou previsão de que “em cinco anos este mercado não vai conseguir absorver todo mundo”.
A matéria citou, ainda, dados estatísticos do alto número de cursos de Direito, da elevada proporção de advogados por cidadão, das consequências da informatização dos processos e da implantação de sistemas específicos de atuação profissional, revelando ainda que escritórios de advocacia hoje conseguem atuar em diversas cidades, em maior número de processos e com menor número de advogados, utilizando-se de robôs.
Contudo, sempre há mais de uma forma de se enxergar os cenários. É clássica a história de dois vendedores de sapatos que chegaram a um país muito pobre em que a maioria da população não usava calçados. Um deles caiu em desespero pois entendeu que não havia mercado para trabalhar. O outro, com olhar completamente diferente, enxergou um mercado imenso à disposição: a maioria precisava comprar sapatos. Desnecessário dizer qual dos dois prosperou.
O atual cenário brasileiro não é diferente, inclusive para a advocacia. Contra fatos e números não há argumentos, mas coragem, persistência, alta formação técnica e empreendedorismo geram oportunidades, sucesso, realização e felicidade. Na verdade, nunca foi fácil. Guardadas as proporções, nunca foi muito diferente.
Em cada época os obstáculos eram diversos, as ameaças distintas e as oportunidades igualmente diferentes, mas sempre houve um caminho árduo a se percorrer para se alcançar uma meta. E os que fizeram diferente, tiveram foco e destemor venceram. Nada substitui o talento, também já se disse. Principalmente na advocacia.
Um oceano de oportunidades se abre com a advocacia 4.0, com o atual estado político e institucional pelo qual atravessa o país, com os sintomas que a economia atualmente apresenta; com as reformas constitucionais que o Governo Federal vem realizando e anuncia que realizará, com os novos segmentos da economia e muitos outros.
Robôs podem fazer petições repetitivas, a Inteligência Artificial pode selecionar precedentes e sugerir caminhos, mas é o talento, a argúcia, a experiência do advogado e da advogada que dão à atuação o diferencial humano insuperável, a independência da pasteurização e da perigosa linha de produção, como se defesa de liberdades, de direitos, de interesses, fossem simples fábrica de réplicas. Robô não sente a angústia do cliente, não percebe a necessidade de combater injustiças, não sente nada; e advocacia sem emoção não é advocacia.
Não condeno números nem dados, mas repudio pessimismo e conformismo. A advocacia precisa de relevância, de destaque, de lideranças construtivas, de capacidade de interação com economia, de empreendedorismo, de especialização, de atualização, de densidade científica e da percepção talentosa que só o ser humano é capaz de propiciar.
Ao encontrar uma pedra na subida, ela pode ser um obstáculo ou um degrau. A escolha é de cada um.