
A preposição não é uma falácia, mas não é uma resolução precisa, é preciso olhar longe, e alçar voos mais distantes, até mesmo na história, para identificar que um problema tão grande como a corrupção é o nosso sistema político.
Que sistema é esse? Um sistema fundado mais em privilégios do que prioridades, um sistema mais inclinado à burocracia do que ao desenvolvimento. Como digerir?! Mais ainda, o nosso sistema político é um sistema projetado para não concorrência. É um sistema que sistematizou o poder e minimizou ou desvocacionou (renunciou a vocação) a essência do servir. A pergunta que circunda a consciência de todo brasileiro é única: para onde iremos?
Face e essa preposição, cabe a nós cidadãos, trabalhadores e trabalhadoras sermos ouvintes e olheiros das propostas que são exaladas pelos canais de comunicação com anseio de mudança.
Detalhe, temos candidatos vendendo ideia de todo tipo, inclusive de que a violência é capaz de superar a violência, outros defendendo que é preciso ter mais militarismo e menos liberdade. Há quem defenda a bandeira do aborto, pena de morte, outros da legalização das drogas, outros mais preocupados em denegrir o adversário do que robustecer o seu plano de governo. Infelizmente, ainda é pouco ou quase minoria os que defendem a novidade da mudança a começar de seus próprios privilégios. Às vezes preferimos crer no “Salvador da Pátria” do que naquele que diz o novo, e que deseja transformar ou pelo menos difundir uma mudança que se inicia no corte das próprias regalias.
Infelizmente, ainda somos um País novato quando o assunto é interação política. Quando criamos ranço dos políticos, resolvemos deixar de lado a política. Erramos! Fomos falhos! Agora estamos colhendo as consequências. O fato de não acompanharmos o sistema, permitiu que o mesmo chegasse ao estágio de nem mais conseguir sustentar-se.
Hoje, chego ao ponto de dizer que por mais bem que a Lava a Jato está fazendo, ela não vai resolver todos os nossos problemas. Moro, por mais eficiente que seja, não vai conseguir entregar uma planilha de resoluções, pois o problema não é matemático, aritmético, é cultural. A corrupção acontece com a complacência de todos e isso levou o país ao estado no qual nos encontramos neste momento.
É preciso de um maior envolvimento da sociedade organizada no sentido de lutar pelas mudanças que são necessárias e urgentes para que o Brasil saia desse momento de recessão, que venha a gerar empregos e volte a ter o crescimento da economia. É preciso que os pobres deixem de ser usados para promoção política ou de políticos; é preciso que eles sejam promovidos com igualdade de oportunidades, educação, emprego, renda.
Se o sistema não mudar, os pobres serão cada vez mais pobres e o Brasil vai continuar a ser menos país, para ser mais Brasília.
Vinícius Figueira é publicitário