por: Gláucia Perini Zouain Figueiredo
“No início do quadro, a criança e o jovem podem ter bom estado geral”
Este mês é conhecido no Brasil como Setembro Dourado em função de uma campanha nacional que chama a atenção de todos, profissionais de saúde, pais, comunidade e gestores para a necessidade do diagnóstico precoce do câncer infantojuvenil e preservação da vida de nossas crianças e adolescentes.
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) estima para 2017 a ocorrência de 12.600 casos novos de câncer em crianças e adolescentes no Brasil. Destes, cerca de 230 estariam no Espírito Santo. No nosso país, essa é a primeira causa de óbitos por doença entre 1 e 19 anos de idade.
O câncer em crianças e adolescentes é diferente da doença nos adultos, pois, em geral, não tem relação com fatores ambientais e não há como ser prevenido. Por isso, é importante reconhecer os sinais de alerta e ter um diagnóstico nos estágios iniciais da doença, quando as chances de cura são maiores e as sequelas menores.
Os sinais e sintomas dependem da localização e do grau de espalhamento da doença, geralmente vêm em conjunto, são persistentes e progressivos.
A leucemia, o grupo mais comum, pode se apresentar com palidez, manchas roxas ou sangramentos inexplicados, febre de origem obscura de mais de 7 dias de duração, dores no corpo, desânimo ou irritabilidade e infecções oportunistas.
Ínguas são frequentemente palpadas em crianças e costumam fazer parte de processos infecciosos. Ínguas suspeitas de malignidade são grandes, confluentes, duras, indolores, fixas e sem evidência de causa infecciosa. Vômitos e dores de cabeça, principalmente pela manhã, sinais neurológicos como diminuição de força, alteração da marcha ou da visão, podem sugerir tumor do sistema nervoso central, assim como aumento do perímetro craniano de forma anormal, em menores de 3 anos de idade.
Massa no abdome ou aumento de seu volume e caroços em qualquer lugar do corpo podem se associar a outros tipos de tumores. A pupila esbranquiçada pode ser sinal de tumor ocular que em geral acomete os menores de 3 anos de idade. São ainda sinais de alerta a perda de apetite e emagrecimento injustificados nos últimos 3 meses, tosse persistente, falta de ar e sudorese noturna importante sem causa aparente.
No início do quadro, a criança e o jovem podem ter bom estado geral, o que dificulta a relação com doença de tamanha gravidade. Algumas vezes, na primeira consulta, pode não haver dados suficientes para a suspeita, já que se trata de doença infrequente, com sinais e sintomas inespecíficos e comuns a doenças benignas e habituais. Neste caso, a criança ou adolescente deve retornar caso os sintomas persistam.
As chances de cura são maiores que 80% em países desenvolvidos. Esta não é a realidade do Brasil, onde estima-se, em média, taxa de sobrevida de 64% (Inca). É preciso mudar isto. O diagnóstico precoce pode ser um grande passo, mas não é o bastante. Outras ações precisam ser implementadas.
A campanha Setembro Dourado busca envolver o poder público em ações e investimentos que garantam o acesso de crianças e adolescentes a centros de referência de excelência com tratamento integral adequado e no tempo oportuno e que respeitem as peculiaridades desses sujeitos.
Gláucia Perini Zouain Figueiredo é médica oncologista pediátrica do Hospital Infantil
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