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Vá tocar o seu violino

por: Jane Mary de Abreu "Alguns passam a vida inteira fingindo ser o que não são, se refugiam nas drogas lícitas e ilícitas" Quando o bebê nasce, no ...

Última atualização

por: Jane Mary de Abreu

“Alguns passam a vida inteira fingindo ser o que não são, se refugiam nas drogas lícitas  e ilícitas”

Quando o bebê nasce, no próprio berço ele já começa a ser confrontado com o padrão social vigente. Cada pessoa que chega na beira do berço, sente-se no direito de manifestar sua opinião sobre a sua aparência, o seu futuro e como ele deve se comportar dali pra frente.
O que mais o bebê ouve são normas de comportamento, que chegam sempre de forma carinhosa: “Que coisa feia, tá chorando, mamãe não gosta quando o filhinho dela chora… “Tá na hora de dormir, se não dormir papai não leva pra passear… “Vai ser médico como o vovô… “Se não sorrir para a vovó, titia não vai gostar mais de você…
Esse é o primeiro dilema que o bebê enfrenta: ser ele mesmo ou atender a essa turma que faz reivindicações o tempo todo? Fazer as suas próprias vontades ou começar a atender as expectativas alheias?
Aos poucos o bebê vai perdendo a sua naturalidade e o contato com ele mesmo. Por conseqüência, se afasta se desconecta da sua essência divina, passando a criar estratégias mentais de sobrevivência. A primeira crise existencial acontece ainda no berço: ele nasceu para ser um violinista, um artista, mas terá que se conformar em ser médico, como quer o vovô.
E por que o bebê acaba cedendo à pressão social? Porque todos nós necessitamos ser amados e reconhecidos. Quando desconfiamos que alguém não nos aceita como somos, o primeiro impulso é sufocar nossa identidade para causar conforto em quem amamos. Pensa que o problema acabou aí? Que nada…
Na escola, a criança sofre uma nova agressão. O ensino tradicional não contempla o autoconhecimento, ele é totalmente voltado para o conhecimento científico, visando atender às demandas do mercado. A escola incentiva a disputa, não a cooperação; forma para o emprego, não para a vida; ensina a criança a querer o sucesso, não a felicidade; quer formar empreendedores, não pessoas éticas e amorosas.
O que acontece então com o bebê que nasceu para ser um violinista e está agora se preparando para ser médico? Ele vai se encolhendo, se isolando, tentando se reencontrar e encontrar um sentido para a sua existência.
Na idade adulta, a pessoa está completamente perdida. Formou-se em Medicina, agradou à família, mas o artista que vive dentro dela continua querendo se manifestar. Por mais que ela tente ser feliz, não consegue, porque felicidade é um estado de espírito só alcançado quando a alma se expressa livremente.
Alguns passam a vida inteira fingindo ser o que não são, se refugiam nas drogas lícitas, como álcool e o cigarro, e nas ilícitas, como a cocaína, o crack… Outros não aguentam o tranco e desistem da vida – o elevado número de suicídios é resultado de almas que não suportaram o jogo social. Alguns casos de desaparecimento também. Só uma minoria tem coragem de chutar o pau da barraca para libertarem suas almas.
Qual é a sua turma? Você vai insistir em fazer o que as pessoas esperam de você? Vai continuar se anulando para dar conforto a elas? Ou vai começar a ouvir o seu coração e realizar os desejos da sua alma?
Vamos, não perca mais tempo com o jogo social, mergulhe para dentro de você, busque a sua verdade, a sua real identidade, volte a ser o bebê que você foi um dia, recupere a sua naturalidade e o seu frescor espiritual – isso é libertador!
Vá tocar o seu violino, ainda dá tempo. Nossa passagem por aqui é breve. Como aconselha a música, “a vida é trem-bala, parceiro, e a gente é só passageiro prestes a partir…”

Jane Mary de Abreu é jornalista, consultora de marketing, autora do livro Tudo é perfeito do jeito que é

A seção Tribuna Livre é publicada diariamente no jornal A Tribuna. Colaborações para a coluna devem ser enviadas para [email protected].

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