Um grupo de motoristas e cobradores que faz oposição à atual gestão do sindicato que representa a categoria vai decidir na próxima semana se haverá paralisação dos profissionais.
Eles são contra a redução de 3% para 1,8% do reajuste salarial que a Justiça do Trabalho havia definido em janeiro, além de questionar a atual diretoria do Sindirodoviários-ES.
Os rodoviários estão divididos internamente em uma disputa pela liderança do sindicato. Ontem, a votação para decidir os componentes da comissão que vai organizar a eleição marcada para julho terminou em bate-boca e reclamações da oposição.
De acordo com o rodoviário Jean Carlos Gomes houve fraude no processo que escolheu os cinco membros da comissão, todos ligados à atual gestão.
“No edital de convocação para essa votação, estava determinado que era preciso apresentar documento oficial com foto e um contracheque provando que a pessoa é filiada ao sindicato para votar. Na prática, isso não foi feito e até pessoas que já foram demitidas votaram. É uma fraude”, afirmou Gomes.
O grupo de oposição afirma que a atual gestão do Sindirodoviários-ES, que está no comando do sindicato há 15 anos, deixou de lutar pelo aumento dos profissionais.
Em fevereiro deste ano, uma decisão do Tribunal Superior do Trabalho reduziu de 3% para 1,8% o reajuste salarial que a Justiça do Trabalho do Estado havia definido em janeiro.
Foi a briga por esse reajuste que causou a maior greve dos últimos 20 anos, que começou em 2017 e terminou em janeiro deste ano.
“O salário foi reduzido e o sindicato aceitou. Eles não fazem nada para reverter a situação. Não concordamos. Vamos nos reunir na próxima semana para conversar. Existe a possibilidade (de paralisação). A Justiça precisa dar atenção ao fato. Não descartamos parar o serviço”, afirmou Gomes.
Outro lado
O presidente do Sindirodoviários-ES, Edson Bastos, foi procurado pela reportagem de A Tribuna, mas não atendeu às ligações.