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Coronavírus

Com 380 mil curados no Estado, risco de nova infecção é dúvida

Resultados dos testes rápidos feitos pelo governo do Estado revelam que mais de 380 mil pessoas no Espírito Santo já foram infectadas pelo novo ...

A técnica de enfermagem Renata Damasceno Loureiro mantém os cuidados mesmo após já ter contraído o novo coronavírus

Última atualização

Resultados dos testes rápidos feitos pelo governo do Estado revelam que mais de 380 mil pessoas no Espírito Santo já foram infectadas pelo novo coronavírus, segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa).

Porém, apesar de já terem tido contato com o vírus, essas milhares de pessoas não devem se descuidar com a prevenção, alertam médicos.

Os infectologistas Paulo Peçanha e Tâmea Pôssa, por exemplo, frisaram que ainda é cedo para garantia da imunidade. Os dois orientam que as pessoas continuem usando máscaras, lavem as mãos, usem álcool em gel e evitem aglomerações.

Eles citaram um estudo publicado no periódico Nature Medicine em 18 de junho, que reforça o debate a respeito da duração da resposta imune que o corpo produz ao entrar em contato com o novo coronavírus (SARS-CoV-2).

No estudo, da Universidade de Chongqing e do Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Chongqing, na China, foi concluído que os níveis de anticorpos encontrados em pacientes recuperados diminuíram dois a três meses após a infecção, o que gera incertezas quanto à duração da imunidade contra o patógeno.

“Precisamos saber o seguinte: esses anticorpos vão cair, mas se a pessoa for exposta ao vírus, eles vão subir, e a pessoa não vai pegar o vírus? Ainda não temos esses dados”, disse a infectologista Rubia Miossi, que atua na linha de frente do combate à doença no Estado.

Outra questão ainda sem resposta é se já há casos de reinfecção pela Covid-19. Um dos exemplos sob investigação é de um técnico de enfermagem, de 22 anos, que morreu vítima da doença em Minas Gerais. O jovem foi hospitalizado em 27 de junho.

Ele já havia contraído o novo coronavírus em abril e não tinha outras doenças. Sobre isso, Rubia disse: “Três meses depois, o vírus está presente ainda. Poderia ter complicação, mas demorar três meses eliminando o vírus, isso é uma raridade”.

O infectologista Luís Henrique Barbosa Borges reforça: “A gente não pode dizer que já sabe como esta doença se comporta, se não podemos nos contaminar de novo”.

Prevenção para evitar novo contágio

A técnica de enfermagem Renata Damasceno Loureiro mantém os cuidados mesmo após já ter contraído o novo coronavírus (Foto: Beto Morais/AT)Depois de testar positivo para Covid-19, na primeira quinzena de junho, e ter cumprindo a quarentena, a técnica de enfermagem Renata Damasceno Loureiro, 40, ainda mantém os cuidados de segurança, usando máscara, álcool em gel, lavando as mãos e evitando aglomeração. Tudo para não correr novo risco e também para proteger a sua mãe.

Dos sintomas, ela só perdeu o paladar e, sob orientação médica, tomou vitaminas C e D. “Não abro mão desses cuidados, pois não temos certeza de nada. Não posso correr o risco de pegar novamente o vírus. Moro com minha mãe, que é hipertensa, diabética e tem sobrepeso”.


TIRE SUAS DÚVIDAS


Quem teve contato com o novo coronavírus desenvolveu imunidade?

A infectologista Rubia Miossi lembra que se sabe pouco sobre imunidade em relação ao novo coronavírus (Covid-19) até agora. Segundo ela, o que se tem conhecimento é que, no caso dos outros coronavírus, que não são SARS-CoV-2, são cerca de 90 dias de imunidade.

“Os anticorpos protetores protegem só por 90 dias. Depois, a gente pode pegar de novo. Então, isso é um risco que existe dentro do novo coronavírus, porque os outros coronavírus são assim”, explicou.

Os cuidados de segurança devem ser mantidos mesmo por quem já teve a doença?

Coronavírus (Foto: Divulgação)Sim. Infectologistas como Luís Henrique Barbosa Borges, Paulo Peçanha, Tâmea Pôssa e Rubia Miossi disseram que as pessoas devem continuar usando máscara, de forma adequada (nada de deixar no queixo ou pendurada na orelha), álcool em gel, lavando as mãos e mantendo o distanciamento social.

Sobre o uso da máscara, Luís Henrique Barbosa Borges diz que, além de ser necessário, isso tornou-se etiqueta social, de convívio, já que não se sabe o potencial de infecção.

A infectologista Tâmea Pôssa ressalta que tudo precisa ser revisto. “Essas respostas estão só no começo porque as pessoas estão produzindo muita ciência, mas é uma ciência em meio à pandemia. Não é uma ciência que você tem um tempo para refletir. Então, o que nós temos de concreto é a proteção”.

Paulo Peçanha complementa que esses cuidados devem ser tomados até que uma vacina seja capaz de frear o avanço da pandemia.

O novo coronavírus pode causar sequelas, mesmo após a cura?

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) salienta que a doença ainda é muito nova e, por isso, suas consequências são desconhecidas.

“As infecções graves podem deixar um certo grau de fibrose pulmonar, da mesma forma que ocorre em outras pneumonias. Além disso, existem estudos sobre sequelas nos rins, coração e sistema nervoso central. Tais ocorrências se dariam em parte dos pacientes que passaram pela internação em UTIs. A maior parte dos casos, entretanto, evolui para uma melhora sem sequelas”, esclarece.

Fonte: Médicos citados e Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas.


O QUE OS MÉDICOS DIZEM


“A gente não tem como provar que quem testou positivo está livre da doença, ainda. É preciso ter mais estudos para saber se isso irá acontecer”
Rubia Miossi, infectologista

“Não temos segurança absoluta do tempo que as pessoas eliminam o vírus. Então, todos nós precisamos continuar usando máscara”
Paulo Peçanha, infectologista

“Quem teve a doença deve agir como quem não teve. Além de ser uma regra de convívio, a pessoa não sabe se poderá se contaminar de novo”
Luís Henrique Borges, infectologista

“Temos de manter o isolamento social, os cuidados, usar máscara, até porque, é um vírus que está circulando, e os vírus fazem mutações”
Tâmea Pôssa, infectologista

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