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Espírito Santo planeja comprar 6 milhões de doses de vacinas

Diante da demora do governo federal de fechar acordos de compra ou antecipar a campanha de vacinação contra a covid-19, prevista para começar em ...

Espírito Santo planeja comprar 6 milhões de doses de vacinas
- Vacinas contra a Covid-19 estão em análise

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Vacinas contra a Covid-19 estão em análise (Foto: Freepik)

Diante da demora do governo federal de fechar acordos de compra ou antecipar a campanha de vacinação contra a covid-19, prevista para começar em março pelo Ministério da Saúde, governadores e prefeitos têm se mobilizado por conta própria para conseguir imunizantes.

Parte dos gestores recorre à gestão João Doria (PSDB), de São Paulo, para obter doses da Coronavac, desenvolvida em parceria com o grupo chinês Sinovac. O plano paulista é iniciar a imunização em 25 de janeiro. Outros governos já preveem negociação direta com a Pfizer, cuja vacina teve 95% de eficácia, se fracassar o negócio com a União.

É o caso do Espírito Santo. O Estado já calculou investir entre R$ 370 milhões e R$ 400 milhões em 6 milhões de doses do imunizante, que será usado a partir deste mês na Europa e no México.

Nésio Fernandes, secretário de Estado da Saúde (Foto: Divulgação Sesa)Esse total de doses seria suficiente para imunizar todos os capixabas (menos o público infanto-juvenil), começando pelos grupos de risco, que somam um milhão.

“Estabelecemos negociação com a Pfizer para o Estado. Não avançamos por causa da prerrogativa do ministério”, afirmou Nésio Medeiros, secretário de Saúde.

“Se não for aceita pelo governo federal, a proposta da Pfizer talvez possa interessar aos governos estaduais”, acrescentou.

O governo Jair Bolsonaro aposta na vacina da Universidade de Oxford, que têm parceria com a Fiocruz (100,4 milhões de doses). Mas os cientistas admitiram erros e a necessidade de ampliar testes para medir a eficácia, o que deve atrasar o registro. A pasta espera ainda doses para 10% da população pela Covax (42,5 milhões de doses), consórcio liderado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas ainda sem data.

O governo tem resistido à compra de outras vacinas, como a da Pfizer, que deu prazo até esta semana para ter resposta. Para especialistas, governos locais podem ter programas próprios de imunização, desde que haja aval da Anvisa. Doria disse que serão oferecidas 4 milhões de doses a outros Estados, para profissionais de saúde. A Coronavac, porém, ainda não teve resultados de testes sobre eficácia divulgados e ainda depende de registro da Anvisa.

Oito estados procuram São Paulo

Segundo Doria, oito unidades da federação já manifestaram interesse pela Coronavac. O governador Camilo Santana (PT), do Ceará, escreveu nas redes sociais que conversa com Doria desde novembro.

João Azevêdo (Cidadania), da Paraíba, disse ter liberado sua equipe para negociar com São Paulo. “É uma ação paralela ao plano do Ministério da Saúde, para nos anteciparmos e começarmos a vacinação o quanto antes”, disse, também nas redes.

Já o secretário da Saúde do Maranhão, Carlos Eduardo Lula, confirmou que deve receber doses. Ele não informou o total de doses nem os primeiros grupos vacinados.

O prefeito Rafael Greca (DEM), de Curitiba, celebrou em vídeo um acordo que garante “reparte de vacinas para os profissionais de Saúde” da cidade no começo do ano. O consórcio de municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre marcou encontro esta semana em São Paulo. O grupo reúne prefeitos da capital gaúcha e de 15 cidades do entorno.

“Esse movimento de descentralização da compra de vacinas não é comum, mas é válido. Não está claro o plano de aquisição de vacinas do governo federal”, disse Natan Katz, secretário de saúde adjunto de Porto Alegre. Adversário político de Doria, Bolsonaro teme que a Coronavac dê força ao tucano na eleição de 2022.

Pfizer: Bahia e Mato Grosso

Outros estados que também se preparam para negociação direta com a farmacêutica Pfizer se a conversa não avançar com o ministério são Bahia e Mato Grosso.

O governo baiano faz cotações de cem freezers especiais para guardar a vacina da Pfizer, que precisa ficar a -70ºC.

“Se a apresentação comercial for semelhante às vacinas da influenza (gripe), considerando a dose de 0,5 ml, cada frasco com 10ml teria 20 doses. Cada freezer armazenaria 1,5 mil frascos, em um total de 30 mil doses cada”, disse o secretário de Saúde, Fábio Villas-Boas. Mato Grosso também não descarta a compra direta.

A Pfizer diz ter solução para armazenar: uma embalagem para 5 mil doses, com temperatura controlada e gelo seco. A vacina duraria 15 dias. A necessidade de baixíssimas temperaturas é o principal argumento para a resistência do ministério.

Mas negociações isoladas não são a aposta de todos os governos. Procurados, Rio, Pernambuco e Tocantins disseram aguardar definição federal.

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