Com mais de 800 mil pessoas vacinadas contra a Covid-19 no Espírito Santo, o governo do Estado quer antecipar para junho a imunização de quem tem mais de 50 anos fora de grupos prioritários.
O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, afirmou que a proposta é ter um percentual maior, entre 70% e 80% das doses que chegarem, destinado à vacinação da população em geral por grupos de idade, começando por aqueles acima de 50 ou 55 anos.
Depois, ir progredindo com as faixas etárias até alcançar toda população adulta.
Ele ressaltou que o restante das remessas, entre 20% e 30%, seria destinado a continuar a vacinação dos grupos prioritários. Eles seriam vacinados simultaneamente à população em geral.
Nésio reforçou que a proposta já foi levada a representantes do governo federal e ao Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass). A expectativa é ter alguma definição em até 15 dias.
A previsão do governo era finalizar a vacinação dos grupos prioritários em julho, começando posteriormente a vacinar a população em geral. No entanto Nésio defende que isso seja antecipado, já iniciando em junho.
“Isso iria acelerar a imunização, pois toda vacinação, quando entra na fase de grupos prioritários que exigem laudos confirmatórios, por exemplo, com muitos detalhes, ela acaba acontecendo de forma mais lenta, do que a vacinação aberta”.
Uma possibilidade, segundo Nésio, seria destinar a vacina da Pfizer, por exemplo, às prioridades, e aplicar os demais imunizantes na população em geral, por idade.
O secretário ainda frisou que isso é importante para esse momento, em que se espera para os próximos meses um maior volume de vacinas disponíveis. “O ideal, para ter maior velocidade, seria ter uma vacinação mais aberta”.
Para os próximos dias, o secretário afirmou que o Estado deve receber cerca de 100 mil doses da vacina da Astrazeneca, considerando que o governo federal deve distribuir uma remessa com 5 milhões de imunizantes.
Esperança para conseguir dose
Aos 57 anos, a corretora de imóveis Glicéria de Souza Ribeiro está na expectativa de ser vacinada no próximo grupo por idade. “Queria tomar a vacina da Pfizer, mas pode ser qualquer uma e que venha logo”.

Apesar de o casal ter vencido a batalha, ela fala sobre o vazio que o vírus deixou em sua família: sua mãe morreu aos 82 anos, no mês passado, por complicações da doença.
“O que resta é saudade e tristeza. Minha mãe morreu antes de tomar a segunda dose da vacina. Ela morreu em uma semana. Foi devastador”.
O QUE DIZ O SECRETÁRIO DE SAÚDE
Vacinação mais lenta
“Toda vacinação, quando entra em grupos prioritários que exigem laudos confirmatórios, por exemplo, com muitos detalhes, ela acaba acontecendo de forma mais lenta do que uma vacinação aberta para o grupo etário.

Resposta do Ministério
“Acreditamos que em 15 dias a gente possa ter uma atualização com relação ao tema pelo Ministério da Saúde. Debati isso (na quarta-feira) pessoalmente com a coordenação do PNI, com quem o Estado mantém uma relação muito boa, e existe abertura para a avaliação dessa proposta. Isso ainda depende de pactuação entre conselho de secretários municipais e estaduais, além de técnicos que participam do debate do Ministério da Saúde.”
Faixa etária
“Se aprovado no PNI, podemos começar a vacinar de 55 a 59 anos, ou de 50 a 59 anos. Isso vai depender da quantidade de doses que for disponibilizada naquele momento.
O ideal é perguntar: qual a sua idade? 55 anos? Então vamos vacinar, independentemente de morar em Vila velha, Cariacica, Vitória. Tem que ter vacina para todos.”
Atrasos na Coronavac
“A expectativa é que na primeira quinzena de junho a gente conclua todo déficit das segundas doses da Coronavac. As pessoas, nesse momento, terão de aguardar a sua vez. Não será necessário reiniciar o esquema de vacinação para aquelas pessoas que estão com atraso. Ela poderá ser completada a qualquer momento, assim que chegarem as doses”
Novas vacinas
Para junho, há a expectativa que a Covaxin (vacina indiana) ou a Sputnik (russa), possam receber o aval da Anvisa para uso no Brasil, o que incrementaria a quantidade de doses para o PNI. Só da Covaxin seriam 20 milhões de doses para disponibilidade imediata.
Também pode acontecer de ter anúncio por parte do Ministério da Saúde da compra de doses da Sinopharm, mas que vai depender de aval da Anvisa para uso.”
