“Foi ela que me ajudou a ter força, porque eu não sei o que teria feito, nem o que seria de mim. Eu vinha aqui no hospital e via ela sorrindo pra mim e aquilo me enchia de fé. A Ágatha trouxe minha esperança de volta”.
O relato emocionado é de Antônio Carlos Bruno da Silva Filho, 27, um pai que esperou dois meses e dois dias para ter a filha nos braços e finalmente levá-la para casa.
Ágatha Letícia Vitória Galvão Bruno nasceu no dia 24 de abril, prematura, após uma cesárea de urgência na UTI do Hospital Jayme Santos Neves, na Serra.
A mãe, Daiane Galvão, 25, estava grávida de sete meses quando deu entrada no mesmo hospital com sintomas de Covid-19. Antônio já tinha testado positivo e foi curado sem precisar ser internado.

Ontem, com 2,475 quilos e 43 centímetros, Ágatha teve alta e passou a primeira noite na casa da família, em Fundão. “Eu estive aqui ontem (quinta-feira) e o médico disse que eu poderia levá-la para casa. Eu fiquei muito feliz, estava vindo três vezes por semana, porque eu moro longe”.
Segundo Antônio, a bebê não contraiu coronavírus e embora tenha nascido prematura, não apresentou problemas de saúde. “Graças a Deus minha filha é saudável, a médica disse que por ela ser prematura tem que ter um cuidado especial, mas é o cuidado que tem com todos os bebês, fazer os exames certinhos, tomar todas as vacinas. Estou tentando fazer um plano de saúde para ela, mas as coisas estão difíceis”, desabafou.
Antônio vai contar com a ajuda das cunhadas para criar Ágatha. Ontem, ele esteve no hospital acompanhado de familiares. “Ela é uma guerreira”, disse Ana Paula, tia da menina. Tanto que o pai resolveu colocar o nome que a mãe tinha escolhido (Ágatha Letícia) e um terceiro: Vitória. “Porque foi uma vitória para nós”, disse o pai.
“Eu sei que a Daiane deve estar sorrindo lá do céu”
Os braços ainda não se acostumaram a segurar uma bebê. Ontem, quando pegou a filha de 2 meses no colo para deixar o hospital, Antônio Carlos Bruno precisou da ajuda da enfermeira e da cunhada. Mas a falta de jeito normal de um pai de primeira viagem foi compensada pela emoção de levar a filha para casa.
Com os olhos marejados, Antônio contou para a reportagem de A Tribuna – na tarde de ontem, no pátio do Hospital Jayme Santos Neves – como tem tentado superar o luto pela morte da mulher, Daiane Galvão, vítima de Covid-19.
A Tribuna – Como tem sido após a morte da Daiane?
Antônio Carlos – Tem sido um tempo difícil. Não é fácil superar uma perda assim, de repente. A pessoa estava bem e, de repente, de um dia para o outro, acontece isso (morrer vítima de coronavírus).
Foi um choque pra mim. Era um sonho da gente, o que eu e a mãe dela estávamos vivendo (ter filhos) e veio essa doença e acabou com tudo. Mas graças a Deus minha filha está bem, está com saúde, não teve coronavírus. Agora é criar a minha filha.
O dia da alta chegou. Como você está se sentindo?
Estou muito feliz, tenho nem palavras para dizer. Só agradecer a oração de todo mundo, agradecer o hospital, as médicas e enfermeiras que foram muito atenciosas e carinhosas com minha filha.
Vinha aqui no hospital três vezes por semana, chegava triste, mas sempre que saía estava um pouco mais alegre. Eu pegava ela no colo, ela sorria pra mim. Minha filha está me ajudando demais a seguir em frente. Deus me abençoou.
Sei que a mãe dela deve estar muito feliz, deve estar com um sorriso muito lindo lá no céu. É muita felicidade.
E como vai ser agora?
Minhas cunhadas vão me ajudar a cuidar dela, elas moram colado na minha casa. Uma vai ficar de dia e outra vai ficar de noite. Já arrumei tudo, já fiz o quartinho dela, está muito lindo.
Foi minha filha que me ajudou a ter força, porque eu não sei nem o que eu teria feito, nem o que seria de mim. Eu tive força por ela. Ela me encheu de força e esperança para continuar a vida. Acho que está até voltando minha fé de novo. Ela está me ajudando demais a seguir em frente. Minha filha é uma guerreira.
