Diante da aprovação do projeto que autoriza empresas privadas a comprarem vacinas contra a Covid para imunizar os funcionários, a Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes) informou que já negocia a compra de doses do imunizante junto a um fundo de desenvolvimento ligado ao governo russo.
A negociação é feita em conjunto com outras federações. Segundo a Findes, o fundo russo, que tem como objetivo financiar as vacinas e vender para representantes em todo mundo, deve, ainda nesta semana, informar sobre a disponibilidade das doses, com um cronograma de repasses.
Além de autorizar a compra de vacinas por empresas privadas, o texto aprovado pela Câmara dos Deputados na última terça-feira também permite que empresas comprem imunizantes sem o aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Para isso, elas devem seguir os critérios de prioridade estabelecidos no Programa Nacional de Imunizações (PNI) para a vacinação de seus funcionários e doar para o Sistema Único de Saúde (SUS) a metade do quantitativo que comprarem. Para a Findes, a medida é um estímulo para que o setor privado invista nas vacinas, colaborando com o PNI.
“Ao imunizar seus colaboradores e doar a mesma quantidade de doses para o SUS, a iniciativa privada apoia o PNI de forma complementar, acelerando o ritmo da vacinação e contribuindo para salvar vidas. Quanto mais rápido for esse processo, melhor será para a saúde, para a atividade econômica e para a geração de empregos no país”, disse a Findes, em nota.
Coordenadora de UTI Da Unimed, Eliana Caser acredita que a medida só será interessante caso não faltem doses do imunizante para a rede pública.
“Se essa compra não interferir na quantidade de doses destinadas para o SUS, não vejo problema. O que não pode é deixar o privado comprar e não ter vacina o suficiente para atender a população que depende do SUS”, frisou.
Já o infectologista Paulo Peçanha acredita que a compra pelas empresas privadas pode ser uma estratégia para complementar o programa de vacinação do SUS, desde que a vacina a ser adquirida tenha a aprovação da Anvisa. “Assim, teríamos um número maior de vacinas disponíveis para o SUS”.
