O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, vai notificar o Hospital Santa Mônica de Vila Velha, onde um sargento da Marinha deu entrada antes de sua morte. O episódio se dá em meio a reclamações de familiares de que a notificação da causa do óbito (coronavírus) chegou depois de serem informados pela imprensa.
“Começamos primeiro a receber ligações da imprensa. Em nenhum momento fomos procurados pelos órgãos competentes, até mesmo para explicar os procedimentos que deveríamos tomar”, disse.
Na tarde de quinta-feira (2), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) divulgou a morte do “morador de Vila Velha, de 40 anos”, revelando que se tratava de coronavírus. No entanto, segundo o cunhado do militar, a informação só foi passada à família no final da manhã de sexta-feira (3).
“O irmão dele é que recebeu um email hoje (sexta) antes um pouco do almoço. Um email! A minha preocupação maior é isso: se foi comprovado, não deveriam ter entrado em contato com a família? Não deveriam fazer exames na família? Ninguém nos procurou. A única orientação que temos é a de um outro hospital, que nos disse para ficarmos em casa e voltarmos em caso de febre de 40 graus”, relatou o cunhado.
Omissão de notificação
O militar deu entrada no hospital Santa Mônica, em Vila Velha, no final da tarde de terça-feira.
No entanto, a Sesa disse que a amostra do paciente “coletada e transportada por um laboratório privado” só chegou ao Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública) no final da última quarta-feira, 1º, e que às 18h40 do dia 2, o resultado foi liberado no sistema.
“A notificação do caso é obrigatória a todas entidades públicas e privadas. O monitoramento dos casos confirmados compete à Vigilância em Saúde Municipal. No entanto, o estabelecimento de saúde privado omitiu a notificação do caso à autoridade municipal de vigilância. A Secretaria da Saúde ressalta que a omissão de notificação de doença de notificação compulsória é passível de penalidades. A responsabilidade de informar o óbito e suas implicações aos familiares é do hospital privado que atendeu ao paciente”, informou a Sesa no comunicado ao Tribuna Online.
A secretaria ainda complementou: “Para que as autoridades sanitárias municipais e estaduais realizem o bloqueio de transmissão e realizem a resposta rápida, as notificações devem ser realizadas em tempo oportuno, por isso no Estado foi implantado essa semana um Sistema de Notificação web, para o registro dos casos suspeitos de COVID-19, permitindo acesso em tempo real pelas vigilâncias municipais, regionais e estaduais”.
Também procurada pela reportagem, a Vigilância Epidemiológica de Vila Velha informou, em nota, que “somente na data desta sexta-feira (03) e horário (9h20) foi informada pela Sesa a respeito da notificação de caso confirmado de paciente que, inclusive, veio a óbito. A partir de então, todas as medidas de monitoramento de seus contatos já estão sendo adotados pela Vigilância”.
O hospital particular respondeu, em nota, que todos os atendimentos realizados são pautados em protocolos conforme cada diagnóstico identificado.
“Ressaltamos, entretanto, que em relação a qualquer atendimento em específico realizado, o hospital deve seguir aos princípios da ética e às legislações em vigor”, diz. Concluiu informando que, “dados pessoais, atendimentos realizados, diagnósticos, propedêutica e terapêuticas são registradas em prontuário médico” e a divulgação de informações ficam vedadas em conformidade ao que diz o Conselho Federal de Medicina.
Já o Hospital Vitória Apart, na Serra, onde o paciente morreu, também em nota, detalhou que ele deu entrada à 1h40 do dia 1 em estado gravíssimo, já entubado. “Todos os esforços foram mobilizados, sendo oferecidas a assistência e os cuidados intensivos estabelecidos pelos mais rigorosos protocolos internacionais”. O óbito foi registrado às 7h27.
“Os dados recebidos pelo hospital, oriundos deste outro hospital, já traziam informações do quadro e indicavam caso suspeito de coronavírus, cuja a coleta de material para o teste de comprovação diagnóstica, já tinha sido feita no hospital de origem”.
O hospital da Serra também acrescentou que “dispõe de uma estrutura especialmente preparada para atendimentos de casos suspeitos, tendo criado inclusive um fluxo específico, visando a separar casos suspeitos dos demais atendimentos de urgência e emergência. A unidade mantém ainda leitos e UTIs especialmente destinadas aos casos de Covid-19 e tem investido em capacitação e treinamento contínuos para que sua equipe esteja preparada para atender, orientar, ajudando a salvar vidas e contribuindo no controle da pandemia”.
