
Dos entrevistados, 59% disseram crer que a volta das aulas presenciais piorará muito a situação; e outros 20%, um pouco. Outros 18% afirmaram que não haverá efeito na disseminação do vírus, e 3% disseram não saber.
Desde junho, quando 76% responderam que elas não deveriam ser reabertas, a proporção de brasileiros que defende a continuidade do fechamento das escolas oscilou positivamente dentro do limite da margem de erro, de dois pontos percentuais.
O Datafolha ouviu 2.065 pessoas de todo o País nos últimos dias 11 e 12, por telefone, modelo que evita o contato pessoal entre pesquisadores e entrevistados.
Para especialistas em educação e saúde, a estabilidade da proporção de pessoas que defende a não retomada das aulas presenciais mostra que há pouca confiança no controle da pandemia e na capacidade de organização dos protocolos de higiene para um retorno seguro.
“Antes de fazer a reabertura, é preciso olhar para a estrutura que temos para reorganizar o processo escolar. São muitas as adaptações que teremos de fazer, muitas regras novas a serem respeitadas para que, de fato, se diga que há segurança para essa volta”, disse o presidente da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime), Luiz Miguel Garcia.
O País soma mais de 110 mil mortes registradas por Covid-19, com uma média diária de mortes em torno de mil. A situação do Brasil na pandemia é classificada como estável, ou seja, com número constante de novos casos, mas ainda em volume significativo.
Prefeitura
Um inquérito sorológico feito pela Prefeitura de São Paulo com 6 mil estudantes entre 4 e 14 anos da rede municipal apontou que 16,1% têm anticorpos para o novo coronavírus. Do total, 64 4% são assintomáticos para a Covid-19.
O levantamento motivou o prefeito Bruno Covas a descartar um retorno em setembro em todas as redes de ensino, mesmo com liberação do governo estadual, por identificar crianças e adolescentes sem sintomas como potenciais disseminadores da doença. A volta em outubro ainda será avaliada.
“O retorno às aulas seria temerário em um momento desses, que estamos controlando a doença em São Paulo”, disse Covas.