A partir do dia 15 de setembro, idosos acima de 70 anos, que tenham tomado a segunda dose ou dose única há, pelo menos, seis meses terão direito a tomar a terceira dose da vacina contra a covid-19.
A medida será usada para reforçar a eficácia da vacina contra a covid e frear o aumento de casos da doença. Apesar da mobilização, médicos estão tendo de convencer idosos com dúvidas a tomarem o reforço, explicando os benefícios da terceira dose do imunizante.
De acordo com a pneumologista Ciléa Victória Martins, alguns idosos acreditam que “não há necessidade” da terceira dose.

A médica explicou que algumas pessoas que foram inicialmente imunizadas, segundo revelam estudos, apresentaram um déficit na janela imunológica (período que o organismo leva, a partir do contato com a vacina, para produzir anticorpos), permitindo que adquirissem a covid, uns de forma leve e outros de forma mais grave.
Segundo a infectologista Martina Zanotti, estudos mostram que no idoso, assim como em várias outras vacinas, o envelhecimento do sistema imunológico, chamado de imunossenescência, faz com que o idoso responda menos à vacina.
“Vimos que, com a vacina da covid, as mortes e internações por covid caíram drasticamente, mas agora temos visto que os idosos têm voltado a adoecer. A terceira dose serve para ativar a memória imunológica e fazê-los responderem melhor, se tiverem contato com o vírus”.
A vacina utilizada será preferencialmente a da Pfizer, segundo o Ministério da Saúde. O infectologista Crispim Cerutti Junior, professor da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), destaca que a mistura de vacina foi testada especificamente.
“Fizeram uma avaliação estruturada, como se faz em trabalhos científicos. Uma vacina de natureza diferente da outra consegue reforçar a imunidade que a outra deu”.
Solidariedade
O administrador Wilmar Eller, de 62 anos, que já foi imunizado com as duas doses da vacina da AstraZeneca, acredita que não seja o momento correto para aplicar uma terceira dose.
“Acredito que a prioridade tinha de ser para quem ainda não recebeu as duas doses. A terceira dose seria prudente em uns seis meses. Do contrário, acho egoísmo em quem quer salvar a própria pele e deixar os outros em segundo plano”.
Cuidados
Imunizada com duas doses da Coronavac, a pensionista Maria Roos, de 72 anos, conta que está na expectativa para tomar a dose de reforço da vacina contra a Covid-19.
“Não tive sintomas após tomar a vacina. Qualquer idoso que precisar, deve tomar, não deve se omitir. É para a nossa imunização”, defende.
“Graças a Deus, nem eu e nem meu marido pegamos covid, porque a gente se cuida muito”, salienta.
