O governo já reconhece que o número de trabalhadores informais que buscam receber o auxílio emergencial de R$ 600 ou R$ 1.200 deve chegar a 70 milhões, ou seja, cerca de 40% da população em idade economicamente ativa no País, de 172 milhões.
Isso significa que, no Estado, esse número de beneficiados pode chegar a 1,4 milhão de pessoas.

Para o professor João Saboia, a crise provocada pelo coronavírus jogou luz sobre um grupo fora dos levantamentos oficiais do governo:
“Essa experiência deu margem para fazer um mapeamento de um grupo que já vivia um contexto crítico, mas estava escondido, seja porque não estava contemplado no Cadastro Único, por dificuldade de acesso ou falta de interesse. Essa população não está brincando. Se essas pessoas estão indo para a fila, é porque precisam.”
Esse contingente de “invisíveis” equivale a seis vezes o número de habitantes de Portugal e a 20 vezes o do Uruguai. O número representa um terço da população brasileira.
“Grande parte dessas pessoas tinha uma renda boa, mas, com a situação da economia, ficou sem recursos. O informal não é sinônimo de precariedade. Por outro lado, pode ser que grande parte desse grupo se incorpore a programas sociais como o Bolsa Família.
O pagamento ao primeiro grupo de informais que se inscreveu no aplicativo da Caixa será feito de forma escalonada e deverá se estender até o início da semana que vem. Os recursos serão creditados em uma conta poupança digital.
Esse grupo de 9 milhões foi homologado pela Dataprev, que enviou a listagem à Caixa. Na terça-feira (14), o ministro da Cidadania, Onyx Lorenzoni, afirmou que 11,2 milhões receberiam até sexta, mas o banco deu prazo de 48 horas a partir do recebimento dos dados para efetuar o crédito.