Com a suspensão das aulas nas escolas, as atividades escolares estão sendo feitas em casa. Como as crianças necessitam da supervisão de adultos, os pais estão se tornando professores e, até, contadores de histórias.
Mas a nova rotina nem sempre é fácil. Conciliar tarefas domésticas, home office (trabalho em casa) e estudar com os filhos pode gerar sobrecarga para os pais e as próprias crianças.
A jornalista Andressa Mota, 41, mãe das gêmeas Laura e Letícia, de 8 anos, e do Rafael, de 40 dias, está sentindo dificuldade em conciliar as tarefas, mas vem estabelecendo horários de estudo. “Não está sendo fácil. As crianças têm muita energia. Querem brincar o tempo inteiro e, mesmo explicando, elas não entendem que não estão de férias”, relata.
Para a psicanalista Bianca Martins, mestre em Saúde Coletiva, uma sugestão é manter a rotina minimamente estruturada, sem deixá-la igual aos dias normais. “Não dá para os pais cumprirem as oito horas de trabalho por dia, porque a situação é diferente. Não é preciso se culpar por isso”, explicou.
Especialista em Educação, a pedagoga Edna Tavares sugere a realização de escala entre os pais para as tarefas domésticas, trabalho e ensino. “Outra dica é não exagerar no período do estudo da criança. Estudar, no máximo, duas horas e meia por dia já é o suficiente”, acrescentou.
Segundo ela, algumas dicas para ensinar os filhos são fazer paródias, brincadeiras de perguntas e respostas e colocar bônus de aprendizado para a criança, com pequenos brindes para estimular o estudo.
Segundo a psicóloga e psicanalista Thamy Carvalho, o casal deve conversar sobre como será a rotina da casa. “No horário em que um estiver trabalhando, o outro poderá ficar um pouco mais livre”, recomendou.
Thamy afirma que é preciso dialogar com a criança e explicar que, em certos momentos, os pais irão trabalhar. “Nesse período, eles podem deixá-la escolher a atividade a fazer”, sugeriu.
Para ocupar o tempo, alguns pais estão contando histórias para os pequenos. A psicopedagoga Betina Serson afirma que essa é uma ótima escolha. “A história estimula a imaginação e a criatividade”, disse.
Para Thamy, momentos afetivos como esse criam um vínculo eterno entre pais e filhos. “Essa ligação é muito importante na formação psíquica da criança e em sua vida futura”, pontuou.

O professor de História Maykel Martins, 45, é pai da Ana Beatriz, de 10 anos, e do Bernardo, 7. Ele está usando os conhecimentos na área para contar histórias como o do surto de meningite no Brasil e da gripe espanhola.
“Está dando para eu equilibrar as atividades, porque venho fazendo uma rotina para nós. Estamos tendo que inventar o tempo todo, como brincadeiras de caça ao tesouro e até de escolinha, que é a de que mais gostam”, contou.

Para Mônica Turíbio, 39, mãe do Pedro Henrique, de 7 anos, as maiores dificuldades estão sendo ensinar inglês ao filho e fazê-lo entender que ela também está exercendo em casa o trabalho como consultora de plano de saúde.
“Na minha área, fico muito ao telefone, e nem sempre posso parar e dar atenção. Às vezes, ele quer me perguntar ou mostrar alguma coisa. Isso complica um pouco, porque ele ainda não entende”, relata.
Ela conta também que, mesmo com os livrinhos e as brincadeiras em casa, o filho está mais agitado.
SAIBA MAIS
Paródias, brincadeiras e brindes
Dicas de formas para ensinar
- Como crianças adoram música, fazer paródias, adequando aquelas conhecidas ao conteúdo estudado.
- Fazer brincadeiras de perguntas e respostas.
- Colocar bônus de aprendizado, com pequenos brindes para estimular o estudo.
- Elaborar um gráfico de aprendizagem e de conclusão de tarefas, para que a criança veja o próprio crescimento e queira aprender mais.
- Estimular o aprendizado com imagens e correlacioná-las a filmes e vídeos.
- Fazer experimentos simples de disciplinas como Ciências, Matemática e Biologia, encontrados em pesquisas na internet. Assim, elas verão, na prática, o que estão aprendendo.
Como estudar em casa
- Separar um espaço da casa confortável, silencioso e arejado para ser o local de estudo. Usá-lo sempre, na medida do possível.
- Deixar o momento leve. Isso não significa que não precisa ter cobrança e rotina. É fazer com que a criança entenda que aquilo é uma necessidade, e não um peso.
- Entender que o estudo em casa é um complemento da escola e jamais a sua substituição.
- Estabelecer uma rotina, o mais próximo possível daquela da escola. Mas, o tempo não precisa ser o mesmo: pode ser de duas horas a duas horas e meia por dia, no máximo.
- Montar um cronograma de disciplinas a serem estudadas.
- Sugerir que a criança, antes do horário estabelecido para estudar, tome banho, para que sinta mais leve e consiga absorver melhor o conteúdo.
- No caso de dúvidas com o conteúdo, procurar ajuda nos portais online da escola ou, caso não resolva, entrar em contato com professores.
- Perguntar a outros pais como estão fazendo. Nem sempre, o que um faz dá certo para o outro, mas, vale procurar saber e tentar.
- Explicar para o filho que ambos estão aprendendo juntos, já que os pais não são professores. No momento, ele estará ajudando o filho, mas o papel do professor continua sendo essencial e fazendo falta.
Fonte: Especialistas consultados.
