Além de um papel espiritual com as missas, cultos e celebrações, as igrejas ainda exercem na comunidade uma função social com projetos e atendimentos aos fiéis que buscam um aconselhamento durante uma situação difícil que se deparam na vida.
Com a pandemia, os templos precisaram fechar as portas por algum tempo no Estado e aos religiosos tiveram que se adaptar para continuar levando uma palavra de fé e força aos jovens, casais e enfermos. Uso de máscara, álcool em gel e distanciamento são alguns dos cuidados tomados pelos religiosos para fazer o atendimento dos fiéis.
Após a recomendação de fechamento das igrejas para evitar aglomerações e, consequentemente, a transmissão do coronavírus, as missas e cultos começaram a ser transmitidos ao vivo pelas redes sociais para que os fieis pudessem continuar com esse momento de espiritualidade.

“Não podemos parar esse auxilio espiritual e emocional, porque, com a pandemia, você tem uma crise de saúde mental. Muitas pessoas depressivas, ansiosas e angustiadas, algumas flertando com o suicídio.A gente tem trabalho para aconselhar essas pessoas por videoconferência, acionamos ela pela sala virtual e fazemos o atendimento”, explicou ele.
No caso dos fiéis que não tem acesso à tecnologia, não há um desemparo. Segundo o pastor Romerito, é feito um agendamento com eles para que sejam atendidos no gabinete pastoral, de forma individual e com todos os cuidados recomendados pelas autoridades de saúde, como uso de máscara, álcool em gel e o distanciamento social.
O pároco da paróquia de Nossa Senhora da Glória, no bairro Glória, em Vila Velha, padre Alexandro Firmino Barbosa, explicou que todo um esquema foi montado pela equipe da igreja para receber quem precisa de uma palavra em meio à pandemia.
“É feito um agendamento e a pessoa vai direto para minha sala. Além do uso de máscara, álcool em gel e o distanciamento, não tem ventilador e ar-condicionado ligado”, disse.
As visitas aos enfermos também foram suspensas, apenas são realizadas nos casos em que o fiel já apresenta um quadro irreversível e está em suas últimas horas de vida. “A gente vai com todos os cuidados de higienização”, explicou.
Em outros casos, as orações são feitas por telefone e mensagens de áudios por aplicativos de conversa. Já atividades como catequese estão suspensas presencialmente e acontecem de forma virtual.
Assim que a pandemia chegou ao Estado, o pároco da paróquia Nossa Senhora da Esperança, em Cidade Continental, na Serra, padre Benyamin Boro Nama, disse que reuniu a equipe e destacou que a igreja precisava estar presente na vida do povo nesse momento.
O número de famílias assistidas pelas oito comunidades que integram a paróquia saltou de 30 para cerca de 124. Elas recebem alimentos e produtos de limpeza e higiene contou o padre.
Além desse trabalho social, também é feito o atendimento a quem precisa de uma palavra de fé. “Estou sempre à disposição para caso alguém peça orientação espiritual ou confissão. A gente marca para fazer na igreja para que seja feita a higienização do local e seja preparado com álcool em gel e demais cuidados, conforme o protocolo da saúde”, disse ele.
Presidente da Associação de Pastores Evangélicos da Serra, Marcelo Ferreira, destacou que as igrejas precisaram se reinventar durante a pandemia e os religiosos tiveram que aprender a dominar aplicativos para manter contato com os fiéis.
Agora, com a aprovação do Projeto de Lei, na Assembleia Legislativa, que tornou as igrejas atividades essenciais, alguns templos se preparam para a reabertura tomando os cuidados necessários. Ainda falta a sanção do governador Renato Casagrande ao projeto.
“Os cultos, respeitando os limites e as questões de higiene, começaram a voltar nas últimas duas semanas depois que a Assembleia aprovou a igreja como atividade essencial, respeitando as recomendações de álcool em gel, uso da máscara e de microfone individual”, disse o pastor.
Religiosos morreram por conta da doença
A Covid-19 também tem entre as vítimas padres e pastores no Espírito Santo. Em alguns desses casos, os religiosos morreram após serem infectados pelo coronavírus.
Uma dessas pessoas que perdeu a vida por conta da doença foi o pastor

Dias antes, o casal de pastores Wilber Vieira Barbosa, de 62 anos, e Ana Lúcia Barbosa de Jesus, de 57, líderes da Igreja do Evangelho Quadrangular morreram por conta da Covid-19. O pastor morreu no dia 27 de junho e a esposa no dia seguinte. Os dois estavam casados há 40 anos.
Já o padre Antonio Romulo Zagotto, que tem várias passagens por paróquias do Sul do Estado, luta contra a doença e está internado em um hospital de Cachoeiro de Itapemirim.