Até 31 de dezembro, as atividades em boates e casas de shows seguem proibidas no Espírito Santo. A decisão foi divulgada em novo decreto publicado, em edição extra do Diário Oficial de terça-feira. Desde março essas atividades estão proibidas.
Segundo o diretor regional da Associação Brasileira dos Produtores de Eventos (Abrape) no Espírito Santo, Pablo Pacheco, com a decisão, a estimativa é que aproximadamente 500 shows e festas, em boates, casas de shows e arenas de eventos devem ser cancelados este mês no Estado.
“O período mais afetado é o Réveillon e pré-Réveillon, principalmente nos balneários, que começam a ficar mais frequentados para o verão. Esse número se refere a este período, entre 26 de dezembro e 1º de janeiro, já que as festas da virada de Ano Novo também serão prejudicadas, pois começam dia 31”, revelou.
Hoje haverá uma reunião, por videoconferência, agendada pela Secretaria de Gestão e Recursos Humanos (Seger) e a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) com a Abrape. A expectativa, de acordo com Pablo, é que o setor possa retornar com as atividades.
“A nossa expectativa é que o governo abra as portas para o diálogo e possa surgir um caminho positivo para nossa situação. Em julho e setembro apresentamos protocolos para a retomada e não tivemos retorno. Defendemos o diálogo e adoção, com planejamento, de protocolos seguros que permitam uma retomada gradual dos eventos”, destacou.
Segundo o diretor da Abrape, entre as propostas já apresentadas está a retomada de eventos com a capacidade reduzida de pessoas.
“Nosso setor é o único segmento da economia no Estado que segue paralisado. Retoma-se com eventos menores e protocolos de segurança e vai medindo o resultado. E de acordo com a evolução da pandemia pode ir flexibilizando ou não”, opinou.
Entre os afetados pela decisão estão os músicos, a exemplo do percussionista André Leão Basilio e do cantor Lucas Borini.
“Essa proibição é complicada, já que cantor é igual jogador do futebol: a gente vive em função desse sonho. No início eu concordei com a restrição, mas agora poderia ser flexibilizado. Todos nós precisamos trabalhar”, afirmou Lucas.
Reunião ouve propostas
Para ouvir avaliar as propostas para um possível retorno, as secretarias de Gestão e Recursos Humanos (Seger) e Saúde (Sesa) realizaram nesta quinta-feira (03), uma reunião com a Associação Brasileira dos Produtores de Eventos (Abrape).
A secretária da Seger, Lenise Loureiro, explicou que o objetivo da reunião foi manter o diálogo aberto com o setor. “Vamos ouvi-los e ver quais as medidas eles imaginam que possam inibir essa aglomeração. Vamos imaginar que eles trarão propostas que possamos avaliar junto à Vigilância Sanitária”.
Segundo Lenise, o governo está buscando saídas para as atividades econômicas, porém, atentos à pandemia.
Já os eventos, como festa de casamento e aniversário, liberados desde setembro, Lenise explicou que estão permitidos com até 300 pessoas, nas cidades de risco baixo e moderado, se comprovada à capacidade do espaço, mas as pistas de dança são proibidas.
“Na regra, são possíveis 300 pessoas desde que seja um espaço de 1.500 metros quadrados. Diferente das praias, que as pessoas surgem de todos os cantos e aglomeram para ver os fogos, esses não estão recomendados”.
Lenise ressaltou, porém, que os municípios têm autonomia de decisão e, inclusive, de fiscalização.
SAIBA MAIS
Cinema, parque, teatro e circo liberados
Shows e boates proibidos
- Novo decreto publicado em edição extra do Diário Oficial de terça-feira indica que as atividades em boates e casas de shows seguem proibidas até o dia 31 de dezembro.
- As proibições ocorreram em março deste ano, no início do período de pandemia.
- Segundo o Diário Oficial, shows e outras apresentações culturais estão permitidos apenas no formato drive-in. Já cinemas, parques de diversão, teatros, circos e feiras continuam liberados.
Eventos
- Em setembro os eventos sociais, como festa de casamento e aniversários, foram liberados com até 100 pessoas.
- Em outubro houve nova flexibilização, permitindo eventos, respeitando-se o limite de até 300 convidados. Antes as regras valiam apenas para os municípios de risco baixo no Mapa de Risco, mas agora são válidas para as cidades em risco moderado.
Proibida pista de dança
- Mesmo liberando os eventos, em caso de festas, o governo do Estado manteve o bloqueio do acesso às pistas de dança.
- Bares e restaurantes podem ter música ao vivo, desde que não tenham pista de dança.
Fiscalização
- As prefeituras são as responsáveis por fiscalizar shows e boates.
- Em Vitória, a Prefeitura informou que as ações de orientação a comerciantes acontecem de maneira colaborativa em toda a cidade. Irregularidades podem ser denunciadas pelo Fala Vitória 156 ou pelo aplicativo Vitória Online.
- Na Serra, o efetivo da prefeitura atua em apoio à Polícia Militar. Os flagrantes de aglomerações devem ser denunciados por meio do 190.
- Até o fechamento da edição, Cariacica e Vila Velha não responderam à reportagem.
Fonte: Estado e prefeituras consultadas.
