Quatro municípios do Espírito Santo solicitaram do governo do Estado o envio de cloroquina e hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com a Covid-19.
De acordo com a Secretaria de Saúde do Estado (Sesa), os municípios de Cachoeiro de Itapemirim, Aracruz, Montanha e Mimoso do Sul farão o uso do medicamento, que ainda não teve sua eficácia de tratamento comprovada de forma científica.
O Ministério da Saúde está orientando o uso do medicamento de forma precoce nos pacientes diagnosticados com o novo coronavírus, inclusive gestantes, crianças e adolescentes.
A recomendação não é seguida pelo governo do Estado, mas o secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, garantiu que não vai se opor aos municípios que quiserem fazer o uso da cloroquina.
“O Estado adota a opinião técnica e científica, subsidiando nossas decisões, que são descontaminadas da política e questões não científicas. No entanto, não vamos nos opor ou criticar qualquer município que queira adotar o protocolo adotado pelo Ministério da Saúde, e vamos colaborar na distribuição do medicamento”.
Em entrevista coletiva na segunda-feira (22), o secretário de Saúde voltou a ressaltar que não existe evidência científica que apontem um desfecho diferenciado para pacientes graves ou leves que façam o uso do medicamento.
“Temos recebido muitos relatos de pacientes que fizeram o uso quando estavam com casos leves e que igualmente evoluíram na doença, inclusive indo a óbito. Não criem qualquer falsa expectativa de que a cloroquina vai modificar a evolução da doença”, afirmou o secretário.
Desde a saída dos ministros da saúde Henrique Mandetta e Nelson Teich, o governo federal vem intensificando a produção da cloroquina, defendida pelo presidente Jair Bolsonaro.
O Ministério da Saúde também está fazendo contatos internacionais para trazer o princípio ativo da hidroxicloroquina ao País. Até o momento, foram distribuídos 2,9 milhões de comprimidos de cloroquina para os estados.
A orientação do governo federal é para que o medicamento seja indicado para casos leves, moderados e graves. “A orientação para a prescrição do medicamento permanece a critério do médico, sendo necessária também a vontade declarada do paciente. No caso de pacientes pediátricos ou incapacitados, é necessário o consentimento dos pais ou responsáveis legais”, informou o Ministério da Saúde, em nota.
O governo federal também ressaltou, em nota, que vem acompanhando as pesquisas e ensaios clínicos para estudar a segurança e a eficácia dessas medicações para a Covid-19 em todo mundo.
