A imunização contra a Covid-19 já foi iniciada em alguns países pelo mundo. No Brasil, ainda não há uma definição de quando a vacinação deve ser iniciada – existe uma expectativa por parte do governo federal de que isso ocorra no primeiro semestre de 2021.
Em um contexto do número de casos em crescimento no Espírito Santo, quando a campanha de vacinação contra a Covid-19 começar pessoas que já foram infectadas pelo coronavírus devem tomar a vacina?
Especialistas ouvidos pela reportagem recomendam que pacientes que já tiveram a doença tomem a vacina, quando a imunização for iniciada.
Doutora em Epidemiologia e uma das pesquisadoras que participaram da elaboração do Plano Nacional de Imunização (PNI) contra a Covid-19 no País, Ethel Maciel, explica que, no início dos testes de fase 3 das vacinas, os testes de PCR (o chamado exame do cotonete) negativo eram critério de entrada para os voluntários tomarem a vacina.
A pesquisadora, porém, lembra que no meio dos testes a Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou a atenção sobre esse fato, porque não havia evidências de quanto tempo durava essa imunidade no organismo de quem já havia sido infectado pelo vírus e que seria importante não ter esse critério, pedindo que pessoas que já tinham tido a Covid-19 fossem incluídas nesses estudos.
“Hoje, a gente já tem evidências que demonstram que pessoas que tiveram a Covid podem ser vacinadas. Cada fabricante que for divulgando seus resultados e pedindo as agências a regulação isso vai ficar mais esclarecido. A Pfizer, por exemplo, não recomenda que a vacina seja utilizada para grávidas e também em crianças, porque não testaram nessa faixa etária. Ainda também em pessoas que tenham alergias muito severas, que foi uma recomendação que surgiu depois”, explicou.
A médica infectologista Ana Paula Burian também destacou que, no início dos estudos, os fabricantes das vacinas em fase de desenvolvimento estavam colhendo sorologia para a vacina e quem tinha a doença não entrava nos estudos para tomar a vacina, mas esse critério foi alterado mais tarde.
“Hoje, o que se viu foi que, quando você tem a doença ,você tem proteção de anticorpos de curta duração. Não parece ter longa duração de proteção. À luz do conhecimento que temos, hoje, quem teve Covid vai tomar vacina sim, porque não se sabe por quanto tempo ela está protegida”, analisou Burian.
O médico infectologista Paulo Peçanha disse que esse entendimento para pessoas que já tiveram a Covid-19 tomarem a vacina assim que elas forem autorizadas no País ainda não ficou tão claro, mas avalia como interessante que esses pacientes busquem a vacina mesmo que já tenham tido a doença.
“A expectativa é de que a vacina dê uma proteção por um tempo mais prolongado do que a infecção natural. Mas seria interessante que quem tivesse a infecção também se vacinasse para ampliar a cobertura”, afirmou ele, destacando também a possibilidade da reinfecção pelo vírus.
