No dia que o Ministério da Saúde confirmou a ocorrência do primeiro caso de reinfecção por Covid-19, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que, atualmente, investiga 58 casos no Espírito Santo.
Para justificar a investigação, segundo a Sesa, é necessário que os casos sejam de indivíduos com dois resultados positivos do RT-PCR (exame feito de material coletado na garganta e no nariz), em tempo real e as duas amostras precisam estar disponíveis para análise dentro de um intervalo igual ou superior a 90 dias.
As amostras estão em processamento para definir se seguirão para análise da referência nacional.
No caso confirmado pelo Ministério da Saúde, trata-se de uma profissional da área da saúde de 37 anos que vive em Natal (RN). Ela teve a doença em junho, se curou, e teve resultado positivo novamente em outubro – 116 dias após o primeiro diagnóstico.
“As análises realizadas permitem confirmar a reinfecção pelo vírus SARS-CoV-2, após sequenciamento do genoma completo viral que identificou duas linhagens distintas”, diz o texto.
A virologista Marilda Siqueira, chefe do Laboratório de Vírus Respiratórios e do Sarampo da Fiocruz, disse que a instituição recebe suspeitas de reinfecção do Brasil inteiro: esta foi confirmada e há algumas em análise, mas a grande maioria é descartada.
O caso de Natal preencheu três requisitos: intervalo de 90 dias, PCR positivo duas vezes e duas linhagens distintas do vírus.
Sobre o intervalo de tempo que pode ocorrer a reinfecção, o biólogo e geneticista Rodrigo Pratte, que é professor da Faculdade Pio XII, disse que ainda não se tem essa resposta. “Como a imunidade é variável, não podemos determinar um tempo específico. Até sobre as próprias vacinas não sabemos qual será o tempo dessa imunização”.
Professor da Ufes, o imunologista Daniel de Oliveira Gomes diz que não dá para dizer que todos que pegaram podem ser infectados novamente. “Depende das características imunológicas de cada um”.
Ambos afirmam, porém, que quem já testou positivo deve seguir os protocolos de segurança.
“Eles podem levar o vírus para outras pessoas, mesmo não manifestando sintomas clínicos. Por isso, é importante manter os hábitos de higienização e distanciamento social”, disse o imunologista.
