A descoberta de uma mutação do novo coronavírus foi confirmada pelas autoridades do Reino Unido no fim de semana. A nova cepa, chamada de B117, pode ser até 70% mais transmissível do que as variações já conhecidas do vírus, segundo uma análise preliminar feita pelo primeiro-ministro britânico Boris Johnson.
Além do Reino Unido, também foram registradas infecções pela nova cepa na Suíça, Espanha, Itália e Austrália até o momento.

“Essas mutações não alteraram a estrutura do vírus. São mutações menores, elas não mudaram a estrutura. Então, elas não têm impacto sobre a vacina”, disse ela.
A especialista ressalta que essa variante identificada no Reino Unido tem 70% a mais de transmissibilidade.
A confirmação de infecções pela nova cepa no Reino Unido trouxe repercussões imediatas. Uma delas foi que cerca de 30 países decidiram suspender voos vindos do país onde a cepa foi detectada. Por enquanto, o Brasil não vetou a chegada de aviões vindos de terras britânicas.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) informou que até o momento não foi realizado nenhum alerta especial sobre a nova cepa do coronavírus aos serviços de saúde.
“Informa ainda que o Espírito Santo não recebe voos internacionais e esclarece, no entanto, que na ficha de notificação, há um campo específico para registrar viagem. Caso o paciente tenha histórico de viagem para o Reino Unido, ele será monitorado e os contatos da viagem rastreados”.
A pasta ainda explica que o Ministério da Saúde ativou todos os Centros de Informações Estratégicas e Respostas em Vigilância em Saúde (CIEVS) em relação ao alerta aos aeroportos internacionais quanto os voos vindos do Reino Unido.
“A Sesa explica ainda que uma nota técnica sobre o assunto está em fase de elaboração”.
Veja abaixo o que já se sabe sobre essa mutação do coronavírus
O que é essa variação?
Uma versão do novo coronavírus que tem maior facilidade para entrar nas células, o que a torna mais contagiosa. O governo britânico disse que essa versão é 70% mais transmissível do que as anteriores, mas os estudos ainda são preliminares.
Quais países já identificaram casos com essa variante do vírus?
Até o momento, a maioria dos casos de infecção pela nova cepa do coronavírus foram registrados no Reino Unido. No entanto, há um caso na Itália, dois pacientes na Austrália – todos os três vindo do Reino Unidos. Suíça e Espanha também já confirmaram casos dessa nova variante do vírus.
O Brasil, até o momento, não tem casos de infecção por essa nova cepa identificados.
Essa nova versão é mais letal?
Segundo estudos preliminares e informações da Organização Mundial da Saúde (OMS), não há indícios de que essa mutação seja mais mortal. No entanto, mais informações sobre o contágio e a letalidade devem ser conhecidas nas próximas semanas.
Mutações em vírus são comuns?
A doutora em Epidemiologia e professora da Universidade Federal do Espírito Santo, Ethel Maciel, explica que mutações são comuns em vírus. A especialista ressalta que, neste caso, as alterações sofridas pelo coronavírus não alteram a estrutura do vírus.
A forma de contágio mudou?
A OMS informa que não há indicações de mudança na forma de contágio da mutação e, por isso, os atuais protocolos de prevenção devem ser mantidos – e até mesmo ampliados.
A vacina funciona contra essa variante do vírus?
De acordo com especialistas da União Europeia as vacinas em desenvolvimento são eficazes contra a nova cepa do coronavírus. Ethel Maciel também destacou que a mutação não modificou a estrutura do vírus.
Países fazem bloqueio
Para evitar a disseminação dessa variante do coronavírus, pelo menos 30 países pelo mundo já anunciaram a suspensão de voos vindos do Reino Unido até nesta segunda-feira (21). Na lista, estão países como Alemanha, Argentina, Suíça, Suécia e Rússia.
O Brasil vai suspender voos também?
Até o momento, o Brasil não planeja vetar voos vindos do Reino Unido. A avaliação do governo federal ao final da manhã desta segunda-feira (21) é que a portaria publicada no último dia 17, exigindo a apresentação do teste RT-PCR negativo tanto para brasileiros quanto para estrangeiros é suficiente para barrar a entrada de infectados vindos do Reino Unido.
Crianças
Cientistas alertam que a nova cepa pode infectar crianças com mais facilidade. A informação foi publicada pelo jornal “The Independent”, nesta segunda.
Fontes: Agências Folhapress e Estado, G1 e doutora em Epidemiologia Ethel Maciel
