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Luiz Trevisan

Vanguarda e atraso

“No caso de hecatombe, reza a lenda futurística, irão sobreviver somente as baratas e a Coca-Cola. As baratas, sempre em evolução, detendo maior ...

Trânsito lento na Segunda Ponte

Última atualização

“No caso de hecatombe, reza a lenda futurística, irão sobreviver somente as baratas e a Coca-Cola. As baratas, sempre em evolução, detendo maior chance. Ainda mais agora que surgiu a barata alemã hiper cascuda resistente a inseticidas. Mas pode incluir entre sobreviventes aquela família malvada e dura na queda que você conhece”

Diariamente, aqui e ali, surgem ações e situações que revelam avanço e retrocesso. Na Serra, cogita-se adotar um policiamento comunitário com base em modelo japonês. Tomara que avance, porém isso já foi tentando antes, na década de 90, pelo governo estadual, e não foi adiante por vários motivos: gerenciamento, questões corporativas, descontinuidade administrativa e, principalmente, diferença cultural. Basta observar como os disciplinados e educados japoneses enfrentam terremotos e limpam estádios de futebol, após uma partida. E compare com o descuido que temos com os nossos rios ou de como não estamos preparados sequer para enfrentar chuvas fortes.

E repare como a engenharia de trânsito urbano do capixaba vive entre o verde e o vermelho. Abre para os radares e câmeras de monitoramento, enquanto trava o fluxo instalando sinais em cima de sinais, nada de elevados e passagens de nível. E pensar que carros e aviões pilotados automaticamente estão previstos para os próximos 30 anos. Observe ainda como adoram plantar estéreis palmeiras, sem frutos e sombras, pelos canteiros. Desconfio que o lobby da palmeirinha é bem enraizado.

Nesse ir e vir, o físico Stephen Hawking, sempre ele, já emitiu alerta amarelo. Disse que vamos precisar abandonar o planeta nos próximos 600 anos devido ao colapso dos recursos naturais e superpopulação. Ele propôs envio já de minúsculas sondas para a busca de exoplanetas viáveis. E também pode ser que a raça humana nem tenha esses 600 anos pela frente, caso exploda antes aquele super vulcão de Yellowstone, nos Estados Unidos, desabe algum asteróide gigante ou conflito nuclear.

No caso de hecatombe, reza a lenda futurística, irão sobreviver somente as baratas e a Coca-Cola. As baratas, sempre em evolução, detendo maior chance. Ainda mais agora que surgiu a barata alemã hiper cascuda resistente a inseticidas. Mas pode incluir também entre os sobreviventes aquela família malvada e dura na queda que você conhece. Vovó já dizia vaso ruim não quebra…

No mais, é a crise econômica retratada pelo pibinho nas estatísticas sem bifinho no prato, do subemprego. Dias atrás, no caça-níquel do semáforo, na Avenida Rio Branco, Vitória, apareceu um violinista, bem vestido, smoking e tal, improvisando um concerto rápido, no abre-fecha dos sinais, disputando espaço com malabaristas, palhaços, flanelinhas, vendedores de frutas, doces etc. Na muvuca do trânsito, nem deu para perceber as notas que ele tirava do violino. Foi quase uma inversão daquele tiro no meio de um concerto em teatro.

Outra cena foi registrada no Triângulo das Bermudas, Praia do Canto. Noite de quarta-feira, futebol pelos telões, e no burburinho dos bares algumas moças e rapazes distribuem propagandas das chamadas casas de saliência, abrigos repaginados da tal “profissão mais antiga do mundo”. Além do excesso de oferta, chamou atenção o grupinho das moças com indumentária “vestidas para matar” circulando, enquanto um sujeito ia pelas mesas pedindo atenção para “a qualidade dos nossos produtos”.

Num tempo de debates e leis contra exploração e assédio sexual, aquela exposição gerou constrangimento em alguns, mas em outros provocou risinhos e piadinhas maliciosas posto que a mente humana, bem disse o filósofo alemão Nietzsche, é “subterrânea e incontrolável”. E mistura vanguarda com atraso numa velocidade impressionante.

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