
O Fla de Carpegiani ainda não conseguiu comprovar em campo o favoritismo que tem fora dele. Tem mais qualidade individual no seu elenco, tem ótima estrutura de trabalho, tem mais investimento, mas está faltando futebol. Em cinco clássicos, tem duas vitórias (ambas sobre o Botafogo), dois empates (0 a 0 com o Vasco e 1 a 1 com o Flu) e uma derrota (4 a 0 para o Flu). Arrisco a dizer que, neste momento da temporada, tem os piores laterais entre os quatro grandes do Rio.
Mas ainda é favorito, pois espera-se muito mais de Diego, Éverton Ribeiro, Paquetá, Dourado e Vinicius Júnior. E tem a vantagem do empate na semifinal.
O adversário rubro-negro é o Botafogo. Justamente o único que perdeu clássicos para o Fla este ano. E que não pode, na semifinal, desperdiçar tantos gols como fez na final da Taça Rio contra o Flu. Alberto Valentim, por mais que mostre sua entrega durante os jogos, parece incomodado no futebol carioca. Já reclamou da violência do adversário, da arbitragem e do regulamento. Pode ser estratégia para tirar o foco do time em si. A defesa é o calcanhar de Aquiles do Fogão.
Na outra semifinal, Flu x Vasco. Abel Braga conseguiu, nos dois últimos jogos, a intensidade que faltava ao Fluminense. É o que ele chama de “competir”. É seguir à risca as determinações táticas, até o esgotamento físico. Não vai ganhar todos os jogos por isso, pois qualidade é fundamental, mas vai obrigar o adversário a “sofrer” para conseguir a vitória. Ayrton Lucas, Júlio César e Jadson cresceram demais.
Do outro lado, é complicado entender o momento do time do Zé Ricardo. A empolgação pela classificação para a fase de grupos esfriou. A defesa dá dor de cabeça, principalmente com as bolas pelo alto, e até o sempre seguro Martín Silva tem falhado este ano. Para completar, Riascos, que já não é o artilheiro dos sonhos, está emburrado. E Paulinho ainda não pegou o embalo.
O Vasco precisa da vitória para ser finalista. Estou curioso para ver se Zé Ricardo vai soltar o time ou vai esperar o Flu para jogar pela famosa “uma bola”.
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Serra de novo como Serra
A década de 2000 marcou o domínio do Serra no futebol capixaba. Foram conquistados quatro dos cinco títulos do Capixabão que o clube tem na sua galeria: 2003, 2004, 2005 e 2008 (venceu também em 1999).
Vi e cobri a geração de Sharlei, Cavalini, Betinho, Alex Passos, Marquinhos, Reiger, Amaral, Evaldo, Ailson e o “interminável” Índio, entre outros, sob comando do técnico Cosme Eduardo, dominar o futebol do Estado no tricampeonato. Em 2008, com Paulo Marcos, nova volta olímpica em cima do Rio Bananal de Marcos Magalhães, Walter, Sharlei e Kieza.

Vai ser campeão? Não sei. Mas ver novamente o Serra como Serra, respeitado, levando torcida ao Robertão e brigando por título é algo para se comemorar.