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Papo do Dias

Existe amor à camisa no futebol!

Esperei pela entrevista coletiva do Valdir Bigode até 0h30, já estourando o prazo para o fechamento da edição de hoje do jornal A Tribuna. Sabia que ...

Valdir Bigode comandou o Vasco contra o Cruzeiro

Última atualização

Valdir Bigode comandou o Vasco contra o Cruzeiro (Foto: Carlos Gregório Jr/Vasco.com.br)Esperei pela entrevista coletiva do Valdir Bigode até 0h30, já estourando o prazo para o fechamento da edição de hoje do jornal A Tribuna. Sabia que valeria a pena. E valeu. Explico.

O Vasco (e qualquer outro clube ou empresa) tem o direito de contratar quem bem entender, na hora que quiser. Mas é, no mínimo, deselegante fazer o que fizeram com o Valdir na última terça-feira. Deixaram o cara dar a entrevista coletiva na véspera do jogo contra o Cruzeiro. E, nela, sabiam que ele seria perguntado sobre a possibilidade de seguir como técnico principal. O Valdir expôs seu sonho e sua vontade de ter, enfim, a sua chance real. Ou seja, ficar no comando do time nos jogos antes da Copa, mostrar que é bom e, assim, ser efetivado. Ele falou isso com todas as letras. No fim da coletiva, ainda pediu aos repórteres: “Torçam por mim”. Aí, no mesmo dia, à noite, pelo Twitter, o Vasco anuncia o Jorginho…

Valdir já estava em Belo Horizonte, no hotel da concentração do Vasco para o jogo do dia seguinte contra o Cruzeiro. Ficou sabendo pela internet! Como fica a cabeça do cidadão neste momento?

Pois bem. O Vasco encarou o Cruzeiro e, com todas as suas limitações, arrancou um empate dentro do Mineirão. Jogou muito? Não. Mas também não ficou atrás do que apresentou em alguns dos melhores momentos com Zé Ricardo como técnico. Após o jogo, quase uma hora depois, Valdir apareceu para falar. E não fez nenhum desabafo, que seria perfeitamente aceito naquele momento.

“Já trabalhei com o Jorginho, é meu amigo. PC (Gusmão, novo coordenador de futebol) também. Na entrevista disse que seria o treinador até o jogo contra o Cruzeiro. De repente gostaria de ficar mais. Também disse que sou funcionário. Se me derem uma missão, vou tentar cumprir”. Entenderam? Para ele, trabalhar no Vasco é uma “missão”! Com todos os problemas acumulados nos últimos anos, ele ainda mostra orgulho por estar no clube, seja a função que lhe for dada! Se isso não é amor à camisa…

E completou, abrindo os braços para receber o Jorginho: “Jorginho está bem à frente, está muito mais rodado. É mais velho, passou por vários clubes, Seleção Brasileira. Eu tenho quatro anos de auxiliar cumprindo minha função”.

Não sei se o Valdir Bigode é bom treinador, não conheço o seu dia a dia dentro do Vasco, nem sei se lá dentro confiam nele. Mas virei fã e vou, sim, torcer muito por ele daqui para frente.

***

Mais amor

Jefferson completa 454 jogos pelo Botafogo (Foto: Vitor Silva/SSPress)Outro exemplo de que ainda existe amor à camisa é Jefferson. Ídolo — praticamente solitário — do Botafogo há alguns anos, agora completou 454 jogos com a camisa alvinegra. Só fica atrás, em números de partidas pelo Fogão, das lendas Garrincha (612) e Nilton Santos (721). Tá mal acompanhado, ele, né?

“Hoje é difícil um jogador permanecer tanto tempo e fico feliz de fazer história em um grande clube. Hoje é uma marca histórica”, contou o goleiro-craque.

Jefferson está no fim da carreira, jká anunciado para o final da temporada. No auge, teve propostas para deixa ro Botafogo. Não deixou. Ficou e fez historia a cada defesa (ou milagres?).

Com certeza, é daqueles jogadores que ganham a simpatia até dos jogadores de outros clubes. Parabéns, ídolo!

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