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AUMENTO

Aplicativos chegam a ficar mais caros do que táxi

Redução no número de motoristas provocou um “apagão” no serviço pelo celular, o que faz o preço disparar em alguns períodos do dia

Táxis estão mais presentes nas ruas com a falta de motoristas de aplicativos e o aumento de custos

Última atualização

A situação é cada vez mais comum na Grande Vitória: o passageiro chama um carro por aplicativo e espera tanto que até desiste. E quando algum motorista aceita, muitas vezes a corrida é cancelada logo em seguida.

Para muitos passageiros, a solução encontrada é recorrer a um serviço que vinha em baixa nos últimos anos: o táxi. O recente “apagão” dos aplicativos de transporte tem feito aumentar a procura pelo serviço dos taxistas, que está com o valor até   mais baixo em alguns horários do dia.

“Tem aumentado  a procura, pois a população criou o hábito de usar o transporte, mas houve redução na oferta. Hoje, o taxista já está conseguindo sobreviver do serviço, sendo que antes havia uma migração”, afirmou o presidente do Sindicato Profissional dos Motoristas de Táxi do Espírito Santo, João Vailati Fidencio.

O panorama atual fez disparar a presença de táxis em alguns municípios, como Cariacica, que continua emitindo licenças – diferente de Vitória e Vila Velha. Somente neste ano, foram 400 renovações e 300 alvarás  para taxistas na cidade. 

Essa inversão na demanda dos serviços é um fenômeno recente. Este ano, cerca de 4 mil motoristas abandonaram o  transporte por aplicativo por causa da alta no preço do combustível e da insatisfação com a remuneração.

Com isso, houve um desequilíbrio de oferta e demanda, já que mais pessoas passaram a buscar o serviço na pandemia e menos motoristas estão disponíveis. 

Como consequência, o valor do transporte por aplicativo  subiu, fazendo com que, em alguns momentos, o táxi fique   mais barato. Vale lembrar que os aplicativos se popularizaram, principalmente, por conta do valor mais acessível.

A reportagem simulou, no início da noite de sexta (10), uma corrida entre Jucutuquara, em Vitória, e Praia da Costa, em Vila Velha. Com o táxi, o valor ficou em aproximadamente R$ 31, enquanto o Uber cobrava R$ 34 e o 99 indicava um valor de R$ 36. “Um dos motivos é que o valor do táxi está defasado, com o mesmo reajuste de  2014”, ressaltou João Vailati.

O taxista Ataíde Govea Lima conta que é comum ouvir relatos como esses dos passageiros. “Eles dizem que não conseguiram pegar o Uber e que o valor é quase o mesmo”.

 













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AUMENTO NO GÁS VAI AFASTAR AINDA MAIS MOTORISTAS

 A previsão de um novo aumento no valor do gás natural veicular (GNV) está preocupando os motoristas de aplicativo, já que muitos utilizam o GNV justamente por conta do preço da gasolina.

Após alcançar o maior preço real do século no mês de novembro, com o metro cúbico chegando a R$ 4,256, o GNV deve continuar subindo em 2022. A Petrobras propôs um reajuste de duas a quatro vezes no valor do combustível nos contratos com as distribuidoras nos estados. Esse aumento vai acabar sendo repassado ao consumidor, podendo fazer o   metro cúbico  chegar a R$ 6,28.

“A previsão é de que suba já em janeiro. Isso vai prejudicar muito os motoristas de aplicativo. Com certeza, muitos vão desistir de fazer corridas por causa disso. Vai ficar inviável de poder trabalhar”, afirmou o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo, Luiz Fernando Muller.

O GNV também é amplamente utilizado nas tubulações das indústrias brasileiras, e uma alta desenfreada agravaria a inflação, segundo especialistas.

Escolher corridas é a única saída

O  “apagão” dos aplicativos de transporte tem relação direta com o fator econômico, segundo o presidente da Associação dos Motoristas de Aplicativos do Espírito Santo, Luiz Fernando Muller.

Por conta disso, ele vê essa migração de passageiros como algo natural do mercado.

“Os cancelamentos acontecem devido a baixa tarifa que os motoristas recebem e o aumento do combustível. Por isso, os motoristas escolhem as corridas, fazendo as que são vantajosas para eles, e isso abre brecha para os taxistas. É algo normal, do mercado, oferta e demanda”, afirmou.

Muller reconhece que essa tática de escolher a corrida é a única forma de garantir que o trabalho seja rentável. “É a única forma de não levar prejuízo. Não podemos subsidiar a corrida para o passageiro, pois muitas não são vantajosas e o motorista leva prejuízo”.

Em setembro, a Uber anunciou um aumento de ganho das viagens para os motoristas de até 35%. A 99 fez o mesmo, informando um aumento entre 10% e 25%. A mudança veio na tentativa de compensar os aumentos frequentes nos preços dos combustíveis.

Entretanto, os motoristas de aplicativo relatam que a medida foi insuficiente, pois os ganhos não acompanham a inflação e o valor do combustível continua subindo.

Vitória aposta em celular e  Vila Velha em mais placas

Sem emitir novas licenças para táxi este ano, as prefeituras de Vitória e Vila Velha preparam novidades para o serviço.

Na capital, a administração municipal está desenvolvendo um aplicativo para os passageiros e motoristas. Chamado “Táxi Vix”, o sistema está em fase de desenvolvimento e teste, mas ainda não há data confirmada para o lançamento.

Atualmente, são  625 permissões  para taxistas em Vitória, sem previsão para a abertura de novas.

Já em Vila Velha, onde 562 licenças estão ativas, a prefeitura vai realizar a abertura de uma nova concorrência. Para isso, está  sendo elaborado um projeto de lei.

Na Serra, as licenças continuam sendo emitidas normalmente – foram 12 contratos de permissão concluídos este ano, totalizando 300 permissionários ao todo. 

Cariacica também continua com a emissão. Atualmente, são 534 táxis, sendo que 400 renovações de licença e 300 alvarás de liberação foram feitas este ano.  A Prefeitura de Cariacica solicitou uma atualização da lei, sugerindo que o prazo de permanência do táxi com o motorista aumente de 7 para 10 anos.

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