Embora tenha começado a cair nas refinarias desde a segunda semana de janeiro, o preço da gasolina apresenta ainda alta acumulada nos postos, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
As distribuidoras de combustíveis afirmam, porém, que o governo criou um “factoide” com a ofensiva contra o setor, ao desconsiderar outros fatores que compõem o preço final, como o etanol e tributos.
Nesta semana, o governo disse ter solicitado ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e à Polícia Federal investigações sobre supostos cartéis que estariam impedindo o repasse das quedas recentes.
Em entrevista, o presidente Michel Temer chamou de “agressão” a falta de repasse dos cortes de preços ao consumidor final. Os distribuidores reagiram.
“É uma irresponsabilidade o governo fazer um pronunciamento desses com acusações seriíssimas sem ter nenhum dado técnico”, reclamou Leonardo Gadotti, presidente da Plural, entidade que reúne as grandes distribuidoras do País:
“É um factoide para desviar a atenção de um problema muito maior: quase 50% do preço da gasolina no Brasil é de impostos.”
Segundo a Petrobras, Cide, PIS/Cofins e ICMS representam 45% do preço final do combustível. Gadotti alega que, desde o início dos reajustes diários, houve aumento de outras parcelas no preço, como o PIS/Cofins (alta de 79%) e o etanol anidro (32%), que corresponde a 27% da gasolina vendida nos postos.

Segundo a Petrobras, o derivado da cana representa 13% do preço de bomba do combustível. O executivo, porém, também criticou as declarações recentes do governo sobre o tema. “A gente tem de entender que gasolina e etanol têm preços de mercado. Arrumar alguma desculpa para intervir nos preços é o pior dos mundos”, disse.
